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Cidades

Justiça bloqueia cerca de R$ 50 milhões para ressarcir supostos desvios de investigados na Operação Raio-X

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Aproximadamente R$ 50 milhões entre ativos em contas bancárias e bens móveis e imóveis foram bloqueados pela Justiça nos processos relativos à Operação Raio-X, deflagrada pela Polícia Civil de Araçatuba (SP) há um ano contra acusados de integrar uma suposta organização criminosa especializada em desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos com OSSs (Organizações Sociais de Saúde).

O objetivo é garantir o ressarcimento dos valores que teriam sido desviados se comprovando os crimes ao final dos vários processos que tramitam pelo País. A Justiça de Penápolis já determinou o pagamento de R$ 4 milhões em indenizações ao município por oito réus.

Além disso, decretou o perdimento de um imóvel na Alameda 01, nº 403 do Residencial Gávea, em Birigui, que seria pertencente a Cleudson; de dois depósitos bancários, somando R$ 220.000,00; de um Corolla; e de dois ônibus que teriam sido adquiridos com recursos desviados no esquema criminoso investigado.

Valores

Segundo o que foi apurado, do total bloqueado pela Justiça, cerca de R$ 13,3 milhões são em ativos bloqueados (dinheiro em contas bancárias). Há ainda outros R$ 25 milhões em bens apreendidos, porém, há outros itens, somando os R$ 50 milhões, valores não atualizados.

Entre os bens bloqueados pela Justiça a pedido do Ministério Público está uma fazenda avaliada em aproximadamente R$ 7 milhões, em Aparecida do Taboado (MS). Ela pertenceria ao médico Cleudson Garcia Montali, apontado como líder do suposto grupo criminoso.

Alvo de mandado de busca na Operação Raio X, a propriedade foi bloqueada pela Justiça junto com mais de 400 cabeças de gado, rebanho avaliado em mais de R$ 1,5 milhão.

Em depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Quarteirização, na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o médico assumiu a propriedade dos animais, mas alegou que apenas arrendava a fazenda sem custo, com o compromisso de dividir o lucro obtido com o gado com proprietário das terras.

Negociação

Apesar da versão apresentada por Cleudson, a investigação concluiu que a propriedade bloqueada pertence a ele, inclusive há imagens de câmeras de monitoramento referentes à negociação da propriedade.

Além disso, o corretor que intermediou a negociação com o antigo proprietário declarou ter negociado diretamente com o médico e recebido das mãos dele o pagamento da corretagem pela venda.

Laranja

As terras estão registradas em nome de uma mulher presa durante a Operação Raio-X. Ela responde a processo por organização criminosa e lavagem de dinheiro na Justiça de Birigui.

Para a investigação, a propriedade foi adquirida por Cleudson com dinheiro dos contratos fraudulentos ou superfaturados e a mulher foi utilizada como “laranja” para tentar ocultar os valores obtidos ilicitamente pela organização.

Veículos

Também foram bloqueados pela Justiça dezenas de veículos pertencentes aos investigados, incluindo uma caminhonete Dodge RAM ano 2020, que também pertenceria a Cleudson.

O veículo, avaliado em R$ 350 mil, foi alvo de mandado de busca e apreensão para ser cumprido durante a Operação Raio-X, porém, ele não foi localizado na ocasião.

Essa caminhonete está incluída em inquérito que apura possível crime de lavagem de dinheiro e a Polícia Civil descobriu que ela havia sido enviada para a Bolívia. Durante o inquérito, equipes da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) rastrearam o veículo, que foi encontrado em Campo Grande (MS).

Negociada

A investigação apurou que a Dodge RAM foi oferecida a venda em Corumbá (MT), quando estava registrada em nome de uma mulher residente no Pará, onde as OSSs (Organizações Sociais de Saúde) ligadas a Cleudson tinham contratos com o governo do Estado.

A polícia teve acesso a cópia dos documentos, com reconhecimento de firma do recibo de compra e venda em um Cartório de Notas de Birigui. Há suspeita de que houve fraude, já que o reconhecimento não teria sido feito nesse cartório.

Posteriormente a caminhonete foi vendida a um morador em Campo Grande, por R$ 340 mil, com quem ela foi apreendida.

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