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“Na UTI covid hoje, só idosos e jovens não vacinados”, diz médica do HC-SP

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A infectologista e intensivista Gabriela Diniz, 33, quase não reconhece a ala de UTI (unidade de terapia intensiva) com pacientes com covid-19 no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Se, no primeiro semestre, pico da pandemia de coronavírus no Brasil, havia muito mais leitos exclusivos para a doença, com adultos de todas as idades, hoje o perfil é outro.

Atualmente, a UTI do maior complexo hospitalar da América Latina segue a tendência do estado e do Brasil. Há menos leitos disponíveis para covid, ocupados, em sua maioria, por pessoas dos chamados grupos de risco, como idosos em idade avançada e imunossuprimidos. Mas um grupo tem furado essa “bolha”: jovens e adultos que não se vacinaram.

Com 77% da população vacinada, São Paulo é o estado que mais vacina no país e vê os registros de casos e mortes em níveis próximos aos do começo da pandemia. Na última quinta-feira (9), a média móvel diária estava em 61 óbitos e com menos de 1.000 novas notificações por dia —números semelhantes a abril de 2020, de acordo com o consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte.

No HC-SP, ligado à FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a situação é semelhante. O complexo hospitalar entrou em colapso em março. Chegou a destinar todos seus 900 leitos — 300 de UTI — para o combate à doença em 2020. Agora, por falta de demanda, tem 255 leitos destinados a pacientes covid, 115 de UTI. Até a última quinta (9), a taxa de ocupação da enfermaria 17,8% e da UTI, 21,7%.

Na unidade em que Diniz trabalha, eram oito pacientes até o fim da semana passada —a minoria deles com covid. Os não vacinados, infelizmente, ainda são uma preocupação.

As histórias são das mais diversas. Além dos não vacinados que acabam internados, médicos e residentes contam casos de como familiares e pessoas próximas a quem recusa a vacina também acaba impactado.

“Recentemente, tivemos um caso em que a família inteira se vacinou, mas o paciente —um médico—, não. Ele dizia que não ia pegar porque trabalhou em UTI, na linha de frente no ano passado e estava imune. A filha ficou sintomática, a família inteira ficou bem e ele acabou internado”, conta Diniz.

“Ele ficou bem? Ficou, não foi invadido. Mas era um homem jovem, atleta e ficou aqui, sozinho, vendo os outros serem intubados, sem saber se ele seria o próximo. Enquanto isso, quem se vacinou teve sintomas leves, como os da gripe”, completa a médica.

 

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