# Azulejos de São Luís: lembrança afetiva da cidade segue em produção

> São Luís do Maranhão mantém viva a tradição dos azulejos decorativos, com o artesão Ribamar Carvalho produzindo peças que retratam casarões e igrejas da capital maranhense. A cidade, que completa 414 anos em 8 de setembro, transforma sua arquitetura histórica em lembranças afetivas para outras casas. A produção artesanal perpetua a memória visual urbana em cerâmica.

*Folha Regional · Cidade · 08 de setembro de 2026 · Geraldo Pontes*

São Luís completa 414 anos em 8 de setembro. Nos azulejos, o artesão Ribamar Carvalho transforma casarões e igrejas em peças que levam a capital maranhense para outras casas.

São Luís completa 414 anos em 8 de setembro. A capital maranhense, fundada em 1612, tem nos azulejos um dos símbolos mais fortes da identidade visual. Agora, essas referências deixam as fachadas e ganham novas formas nas mãos de artesãos locais, virando lembrança afetiva para moradores e visitantes.

O conjunto histórico de São Luís foi tombado pelo Iphan em 1974 e recebeu da Unesco, em 1997, o título de Patrimônio Cultural Mundial. A área reconhecida se estende por cerca de 270 hectares e reúne aproximadamente 5,5 mil edificações, entre sobrados, solares, igrejas e outros imóveis.

É desse cenário que o artista e artesão Ribamar Carvalho tira inspiração. Pratos decorativos, porta-joias, bandejas, porta-chaves, porta-toalhas e xícaras ganham desenhos de casarões, igrejas e elementos da capital. O trabalho já passou por exposições e feiras, chegando a diferentes regiões do Brasil e ao exterior.

A relação com a chamada "arte do fogo" começou antes das peças atuais. Na década de 1980, Ribamar iniciou a trajetória com pintura mediúnica, que resultou em exposições beneficentes. Depois, por influência do irmão, que trabalhava com a artista Vera Vasconcelos, aproximou-se da pintura em azulejos.

No começo, usava serigrafia para reproduzir contornos. Com os ensinamentos de Vera, aprofundou-se no "canetado", técnica de traçar os contornos à mão antes da pintura. Mais tarde, passou a trabalhar também com porcelana.

O processo exige precisão. Depois de modelada, a peça passa por secagem, acabamento, desenho e pintura. Recebe esmaltação e segue para o forno, onde a queima pode ultrapassar 1.000 °C. Entre preparação e finalização, uma única peça pode levar dias para ficar pronta.

Para Ribamar, o resultado vai além da técnica. "Hoje, minhas peças carregam a marca e o registro da nossa identidade, daquilo que temos de mais belo do nosso patrimônio mundial", resume.

Quem quiser conhecer essas criações pode visitar o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), na Madre Deus. O espaço reúne cerâmicas, azulejos, fibras, madeira, bordados e outras peças de artesãos maranhenses. artesanato maranhense

No aniversário da cidade, celebrar esses artistas é reconhecer que cultura e patrimônio seguem vivos. Os azulejos continuam nas fachadas contando histórias, enquanto suas referências ganham espaço nas oficinas, feiras e casas de quem escolhe levar um pouco de São Luís na bagagem. patrimônio histórico de São Luís

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/cidade/azulejos-pecas-simbolizam-sao-luis-seguem-producao-como-lembranca-afetiva-cidade/
