Beto Castro vira réu por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro
A Justiça aceitou denúncia contra o vereador Beto Castro (Avante) por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro. O esquema desviou R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais em São Luís, incluindo ações de combate à fome d
A Justiça do Maranhão aceitou denúncia contra o vereador de São Luís Beto Castro (Avante) por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro. A decisão, tomada na última quinta-feira (16) pelos juízes auxiliares Iran Kurban Filho, Rômulo Lago e Cruz e Leoneide Delfina Barros Amorim, da Vecco (Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados), abre ação penal que coloca o parlamentar no centro de um esquema que desviou R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais na capital maranhense.
Beto Castro vira réu acusado de organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro. O caso decorre da Operação Benedictio, deflagrada em 15 de junho pelo Gaeco do Ministério Público do Maranhão. A investigação aponta que o dinheiro desviado era destinado a ações de combate à fome durante a pandemia da Covid-19, executadas pelo Instituto Sê Tu Uma Bênção.
Como o esquema funcionava
O Gaeco descreve na denúncia que a suposta organização criminosa armada era dividida em quatro núcleos. No centro, o núcleo institucional, comandado por Lucivânia Silva Alves Siqueira, presidente do Instituto Sê Tu Uma Bênção. Ela é acusada de liderar o grupo e captar os recursos públicos por meio da entidade, direcionando-os para empresas suspeitas de serem de fachada: Comercial Alves, Comercial Damares, JR Comércio e CC Cunha.
Em torno dela operava um núcleo empresarial e contábil, formado por Robson de Oliveira Siqueira, José Roberto Santos Cunha, Cristiana Serra Duarte Cunha e Evânia Maria Sousa Nicácio. Segundo a denúncia, eles movimentavam o dinheiro desviado por meio de notas fiscais frias e contabilidade montada para ocultar a origem dos valores.
A ligação com o poder público estava no núcleo político, integrado por Beto Castro, pelo ex-vereador Umbelino Júnior e pela empresária Raquel Lacerda, esposa do vereador. O Gaeco registra que os parlamentares direcionavam emendas e recebiam de volta parte do dinheiro, enquanto Raquel funcionava como laranja para receber e ocultar os repasses. O rastreamento financeiro identificou repasses de R$ 197 mil a Umbelino Júnior e de R$ 188 mil diretamente a Raquel Lacerda, além de R$ 150 mil à Rede de Postos Castro, conhecida como Rede de Postos BC, da qual ela é proprietária.
Sustentando tudo, o Gaeco aponta um núcleo armado e de intimidação, ligado à facção PCM (Primeiro Comando do Maranhão), que por sua vez é ligada ao Comando Vermelho (CV), facção fluminense que o governo dos EUA classificou em maio como organização terrorista. Formado por Josué Santos da Silva, o Gaspar, apontado como chefe da facção na área, e por Evano Hícaro dos Santos Soares, encarregado de intimidar testemunhas, esse núcleo era bancado com parte do dinheiro desviado. Eles viraram réus apenas por organização criminosa armada.
Prisão em flagrante e liberdade provisória
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Operação Benedictio, Beto Castro chegou a ser preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Com ele foi encontrada uma pistola Taurus G2C, calibre 9mm, municiada com 11 cartuchos intactos, além de outras 12 munições do mesmo calibre localizadas em veículo relacionado ao parlamentar.
Contudo, atendendo parecer da promotora de Justiça de Investigação Criminal Marinete Ferreira Silva Avelar, a juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro, da 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís, concedeu liberdade provisória ao vereador. Ele deve cumprir medidas cautelares, como comparecimento periódico perante a CIAPIS (Central Integrada de Alternativas Penais e Inclusão Social) e proibição de ausentar-se da capital sem prévia autorização judicial.
Como a lavagem de dinheiro era feita
O Ministério Público afirma que a lavagem pelo grupo se dava por meio de pulverização bancária, compra de veículos de luxo em nome de terceiros e ocultação em espécie. O esquema, segundo a denúncia, movimentava o dinheiro desviado de forma a esconder sua origem criminosa.
Impacto político e próximos passos
Beto Castro é pré-candidato à presidência da CMSL (Câmara Municipal de São Luís), em eleição prevista para ocorrer a partir de outubro próximo, para posse no primeiro dia útil de janeiro de 2027. A condição de réu pode influenciar o cenário político local, já que o processo criminal corre paralelamente à disputa pelo comando da Casa.
O Atual7 buscou posicionamento de Beto Castro e do advogado Thales de Andrade, que faz a defesa do vereador, sobre o recebimento da denúncia. Não houve retorno até o momento. Em solicitação anterior, em junho, o vereador respondeu por mensagem que vai "provar a inocência perante todos os fatos". O espaço está aberto para manifestações dos demais acusados, que ainda não têm defesa constituída na ação penal.
Perguntas Frequentes
Beto Castro é réu por quais crimes?
Ele é réu por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro, conforme denúncia aceita pela Vecco.
Quanto dinheiro foi desviado no esquema?
O Gaeco aponta desvio de R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais em São Luís.
Quem mais virou réu no processo?
Além de Beto Castro, viraram réus outras nove pessoas, incluindo o ex-vereador Umbelino Júnior e a empresária Raquel Lacerda, esposa do vereador.
O que é a Operação Benedictio?
É a operação deflagrada em 15 de junho pelo Gaeco do Ministério Público do Maranhão para desarticular suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Beto Castro está preso?
Não. Ele recebeu liberdade provisória, com medidas cautelares como comparecimento periódico à CIAPIS e proibição de sair da capital sem autorização judicial.
Como o caso afeta a presidência da Câmara de São Luís?
Beto Castro é pré-candidato à presidência da CMSL. A condição de réu pode impactar sua candidatura e o cenário político local.