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Caso Master cita Weverton Rocha em relatório da PF

ResumoWeverton Rocha, senador do Maranhão, é citado em relatório de inteligência da Polícia Federal sobre o caso Master. O documento compara a condução de duas investigações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Os autos do caso Master foram liberados após decisão do próprio Mendonça no STF.

Senador maranhense surge em relatório de inteligência da PF que compara a condução de duas investigações por André Mendonça. Documentos do caso Master foram liberados após decisão do ministro no STF.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 11 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Caso Master cita Weverton Rocha em relatório da PF

O senador maranhense Weverton Rocha (PDT) está entre os políticos citados nos documentos que vieram a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o levantamento do sigilo de procedimentos ligados ao caso Banco Master. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira (10), e os documentos começaram a ser disponibilizados na sexta-feira, 11 de setembro.

Weverton aparece em um relatório de inteligência da Polícia Federal que analisa a atuação de Mendonça na condução de diferentes investigações. Em um dos trechos, os investigadores comparam o tratamento dado aos casos dos senadores Weverton Rocha, investigado no âmbito das fraudes envolvendo descontos de aposentados e pensionistas do INSS, e Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suposta atuação em favor de interesses do Banco Master.

Segundo o relatório, teria ocorrido uma "variação relevante no patamar de exigência probatória" entre os dois casos em um intervalo de pouco mais de cinco meses. A avaliação da PF é de que Mendonça teria adotado um padrão mais rigoroso no requerimento relacionado a Weverton.

No caso do senador maranhense, a Polícia Federal chegou a pedir sua prisão. O relatório registra que a representação colocava Weverton em posição de liderança na suposta organização criminosa, mas também reconhece que não havia indicação de ato de ofício praticado pelo parlamentar, valor financeiro rastreado diretamente até ele ou diálogo no qual aparecesse como interlocutor. Mendonça reconheceu a existência de "fortes indícios", mas negou a prisão.

A investigação envolvendo Weverton tramita na Petição 16.435 e está relacionada à Operação Sem Desconto. Em decisão já conhecida, a PF aponta pessoas suspeitas de participação em supostos atos de lavagem de dinheiro dos quais Weverton seria beneficiário. A apuração foi instaurada a partir de elementos encontrados em um aparelho celular atribuído ao senador e posteriormente confrontados com informações produzidas na investigação sobre as fraudes do INSS. Entre os alvos ligados ao núcleo estão o advogado Willer Tomaz de Souza, seu escritório e outras pessoas físicas.

É justamente a comparação com outra investigação que faz o nome de Weverton aparecer no conjunto de documentos que ganhou repercussão com o caso Master. No caso de Ciro Nogueira, a PF afirma possuir elementos considerados mais robustos sobre uma possível atuação parlamentar favorável aos interesses de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Entre esses elementos está a chamada "emenda Master". De acordo com a investigação, uma proposta de interesse da instituição financeira teria sido produzida a partir de interesses do banco, encaminhada à residência de Ciro e posteriormente reproduzida no Senado. Mensagens atribuídas a Vorcaro também indicariam comemoração pela apresentação da proposta.

A citação não coloca Weverton como investigado no caso Master. Até o momento, os documentos públicos mostram que a apuração envolvendo diretamente o senador está relacionada à Operação Sem Desconto e às suspeitas de lavagem de dinheiro decorrentes do esquema de descontos irregulares do INSS. A presença de seu nome no material divulgado ocorre porque a PF usou a condução de sua investigação como elemento de comparação com decisões de Mendonça sobre Ciro Nogueira.

Os relatórios de inteligência, entretanto, não têm caráter decisório nem valor probatório por si só. O próprio Mendonça já questionou a legitimidade de um dos documentos, classificando-o como apócrifo e destacando que o material reconhece que suas inferências não têm valor probatório.

A divulgação ocorre em meio a uma crise interna no STF. Fachin solicitou a retirada do sigilo dos procedimentos relacionados ao Master, preservando apenas diligências que ainda dependam de confidencialidade. O material também deverá subsidiar a sessão extraordinária da Corte marcada para a próxima terça-feira (15).

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