# Superávit de R$ 18,6 bi em 2027: governo prevê contas no azul

> O governo Lula projeta superávit primário de R$ 18,6 bilhões em 2027 no PLOA. A meta oficial exige R$ 73,2 bilhões, mas deduções legais elevam o resultado ajustado para R$ 83,4 bilhões. A reversão do déficit decorre de medidas de contenção de gastos e alterações na Receita Corrente Líquida (RCL).

*Folha Regional · Cidade · 01 de setembro de 2026 · Wellington Frota*

O governo Lula prevê superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões em 2027, segundo o PLOA. Meta exige R$ 73,2 bi, mas deduções elevam o resultado para R$ 83,4 bi. Medidas de contenção e mudanças na RCL explicam a reversão.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prevê um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões em 2027. O número consta do projeto de lei orçamentária anual (PLOA) divulgado pelo Ministério do Planejamento nesta segunda-feira. Na métrica efetiva, o resultado fica fora do intervalo da meta, de 0,50% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões, com tolerância de 0,25% a 0,75%. Com as deduções de R$ 64,7 bilhões, a projeção para fins de contabilidade da meta é de R$ 83,4 bilhões.

O valor considera todas as despesas, inclusive as descontadas para o cálculo da meta, como uma parcela de precatórios. Por isso, é classificado como superávit efetivo. No PLDO de abril, a previsão era de superávit de R$ 7,99 bilhões. A reversão do déficit foi possível, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, por medidas de contenção de despesas, como a trava de 0,6% para o crescimento real de gastos com pessoal.

No PLOA, o governo segurou ainda mais esse gasto: a rubrica poderia subir de R$ 350,4 bilhões (2026) para R$ 369,5 bilhões (2027), mas a proposta fica em R$ 361,5 bilhões. A expansão nominal caiu de 13,3% para 5,4%. Outras medidas incluem limitar despesas com vinculações legais à variação real do arcabouço fiscal (0,6% a 2,5%) e mudar o cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL), retirando a arrecadação com venda de óleo e gás. Juntas, as iniciativas geram economia de R$ 8,9 bilhões, sendo R$ 7 bilhões só no piso de saúde.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou o superávit de 2022, último ano do governo Bolsonaro, chamando-o de "fictício", pois não pagaram a totalidade de precatórios. "Nosso compromisso com responsabilidade fiscal está aqui, veio para ficar", afirmou. A previsão de contas no azul é tratada como evidência do esforço fiscal e sinal de continuidade caso o governo seja reeleito em outubro. Parte do mercado, porém, considera o ajuste insuficiente para estabilizar a dívida pública.

O projeto prevê redução das despesas obrigatórias para 91,7% do total, ante 92,4% em 2026, somando R$ 2,563 trilhões (17,3% do PIB). As despesas discricionárias ficam em R$ 266,8 bilhões (1,80% do PIB). A receita líquida deve subir a R$ 2,85 trilhões (19,27% do PIB). Os gastos com benefícios previdenciários alcançam R$ 1,169 trilhão, alta de R$ 87,5 bilhões ante 2026. O Bolsa Família recebe R$ 157,1 bilhões, praticamente o mesmo de 2026.

O salário mínimo previsto para 2027 é de R$ 1.741, alta de R$ 120 (7,4%) sobre os R$ 1.621 atuais. O valor considera o INPC acumulado até novembro de 2026, mais o PIB de dois anos antes, com ganho real limitado a 2,5%. O valor final depende do INPC de novembro, conhecido em dezembro. O piso afeta aposentados, BPC, seguro-desemprego e contribuição de MEIs. O governo também prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios e R$ 650 milhões na Eletronuclear, para preservar Angra 3, cujas obras estão paradas; a continuidade ou abandono pode custar mais de R$ 22 bilhões, e o projeto já consumiu cerca de R$ 12 bilhões.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/cidade/governo-preve-superavit-8216efetivo8217-186-bilhoes-2027/
