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Justiça reconhece falhas da Enel em apagão de dezembro de 2025 em SP

ResumoA Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel no apagão de dezembro de 2025, causado por ciclone extratropical que afetou mais de 2 milhões de consumidores. A decisão judicial rejeitou a tese de que o fenômeno climático excluiria a responsabilidade da concessionária. A Enel permanece obrigada a responder por danos decorrentes da interrupção prolongada do fornecimento de energia elétrica no estado.

A Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel no apagão causado pelo ciclone extratropical de dezembro de 2025, que afetou mais de 2 milhões de consumidores. Decisão rejeita tese de que o fenômeno climático excluiria a responsabilidade da concessionária.

Wellington Frota
Wellington Frota Repórter de segurança · 09 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Justiça reconhece falhas da Enel em apagão de dezembro de 2025 em SP

A Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel Distribuição São Paulo na prestação do serviço de fornecimento de energia durante o apagão provocado pelo ciclone extratropical de 9 e 10 de dezembro de 2025, que afetou mais de 2 milhões de consumidores. A decisão, em resposta à ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), rejeitou o argumento da concessionária de que o fenômeno climático, por si só, seria suficiente para excluir sua responsabilidade.

Segundo o MPSP, embora o ciclone tenha desencadeado as interrupções, essa não foi a causa exclusiva da extensão dos danos e da demora no restabelecimento. O órgão acrescenta que eventos climáticos, de quaisquer intensidades, fazem parte dos riscos previstos na atividade e nos serviços prestados pela Enel. "Por essa razão, [tais ocorrências] não afastam automaticamente a responsabilidade da concessionária, que deve manter infraestrutura, planejamento e capacidade operacional adequados para prevenir e reduzir os impactos sobre a população."

Os dados da Aneel citados na ação registram 6.715 ocorrências de interrupção em 10 de dezembro. Desse total, 3.056 ocorrências (46%) demoraram mais de 24 horas para serem solucionadas e, juntas, atingiram 759.304 unidades consumidoras. "O número de 6.715, portanto, não corresponde à quantidade de pessoas ou imóveis afetados, mas aos registros de interrupção na rede, cada um deles potencialmente capaz de alcançar diversos consumidores", completa o MPSP. Houve consumidores sem energia até o sexto dia após o evento, e a ocorrência mais longa durou 142,8 horas.

A Justiça entendeu que a intensidade do ciclone pode explicar o início das interrupções, mas não justifica a demora excessiva na recomposição. A decisão afirma que os prejuízos foram agravados por insuficiências de planejamento, manutenção e capacidade de resposta da concessionária.

Em nota, a Enel informou que sua atuação foi compatível com a magnitude excepcional do fenômeno, cujo principal fator de impacto foram os ventos fortes e prolongados por mais de dois dias. A empresa afirma que apresentou resposta mais rápida que em eventos anteriores: em nove horas, restabeleceu o fornecimento para 2,5 milhões de unidades consumidoras; em 24 horas, 80% dos clientes impactados, cerca de 3,4 milhões, estavam normalizados. A operação mobilizou cerca de 1,6 mil equipes, e o efetivo foi de 25% a 33% maior que os parâmetros do Plano de Recuperação apresentado à Aneel.

A concessionária reforça que vem apresentando evolução consistente nos indicadores de atendimento emergencial nos últimos três anos, com tempo médio de atendimento e interrupções prolongadas melhores que a média nacional das grandes distribuidoras. apagão em SP

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