# Polícia deflagra operação contra roubo de medicamentos oncológicos; quadrilha movimentou R$ 33 mi

> A Operação Metástase, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, desarticulou uma organização criminosa interestadual especializada em roubos de medicamentos oncológicos. A quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano, utilizando empresas de fachada para recolocar os produtos no mercado.

*Folha Regional · Cidade · 21 de julho de 2026 · Wellington Frota*

Policiais civis do Rio de Janeiro deflagraram a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em roubos de medicamentos oncológicos. A quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano e usava empresas de fachada para recolocar o ma

## Polícia deflagra operação contra roubo de medicamentos oncológicos

Policiais civis do Rio de Janeiro deflagraram, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em roubos e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. As investigações revelaram que a quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano e utilizava empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.

Os agentes cumprem dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra integrantes e lideranças do grupo. As diligências ocorrem simultaneamente no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará, com o apoio das unidades policiais de cada estado. Também foi pedido o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens.

## Como a quadrilha atuava: núcleos e logística do crime

Segundo a polícia, o trabalho investigativo identificou uma organização criminosa altamente sofisticada e violenta, especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado, que seriam utilizados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde.

Os agentes constataram a participação do grupo em pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses, além da movimentação financeira superior a R$ 33 milhões no período de um ano, entre 2025 e 2026, por meio da utilização de empresas de fachada.

### Os quatro núcleos da organização

Os policiais identificaram diferentes núcleos, cada um responsável por uma etapa da operação: o núcleo dos que roubavam; o núcleo logístico-financeiro intermediário; o núcleo logístico-financeiro final; e o núcleo de suporte territorial.

A apuração revelou que o esquema ia muito além do roubo das cargas transportadas. Após as ações criminosas, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga.

## A conexão com o crime organizado e as empresas de fachada

A facção criminosa atuava no suporte territorial, fornecendo apoio bélico e proteção ao núcleo de roubadores. Em seguida, um segundo núcleo era responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados.

Para esconder a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em diversos estados do país, os integrantes utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas". As equipes identificaram membros do grupo responsáveis por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.

Cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, integravam a engrenagem financeira da organização criminosa e eram utilizadas para receptar os medicamentos roubados no estado do Rio de Janeiro.

## Como os medicamentos roubados chegavam a hospitais públicos e privados

Segundo os agentes, os medicamentos eram revendidos tanto para hospitais privados quanto, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.

Ao oferecer valores inferiores aos praticados pelo mercado regular, o grupo conseguia inserir produtos de origem criminosa na cadeia legítima de fornecimento. Os policiais também identificaram o líder da organização criminosa, um homem com longo histórico de envolvimento em roubos de cargas.

## O impacto na saúde pública: risco para pacientes

De acordo com as informações coletadas, o esquema representa uma grave ameaça não apenas ao patrimônio, mas também à saúde pública.

"Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento durante todo o transporte. Quando mantidos em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas", diz a polícia.

Além disso, o volume expressivo das cargas roubadas pode comprometer o abastecimento dos sistemas de saúde, impactando diretamente o tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

## Perguntas Frequentes

### A operação ainda está em andamento?

Sim. Nesta terça-feira (21), os agentes cumprem dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra integrantes e lideranças do grupo.

### Quantos crimes a quadrilha cometeu?

Os agentes constataram a participação do grupo em pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses.

### Quanto dinheiro a quadrilha movimentou?

A movimentação financeira foi superior a R$ 33 milhões no período de um ano, entre 2025 e 2026.

### Como os medicamentos eram revendidos?

Os medicamentos eram revendidos tanto para hospitais privados quanto, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.

### Qual o risco para os pacientes?

Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura. Em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou gerar substâncias nocivas.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/cidade/policia-deflagra-operacao-contra-roubo-medicamentos-oncologicos/
