# PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

> A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass pela queda do avião em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. O grupo inclui o presidente da companhia e outros funcionários, responsabilizados por crimes como homicídio culposo e exposição a perigo. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

*Folha Regional · Cidade · 07 de agosto de 2026 · Tatiana Réis*

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas por envolvimento na queda da aeronave da Voepass em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Todos são ligados à companhia, incluindo o presidente. Entenda os crimes e as penas.

A Polícia Federal (PF) indiciou 16 pessoas por envolvimento na queda da aeronave da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A investigação foi concluída e todos os indiciados são ligados à companhia, incluindo o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. A queda do avião turboélice ATR 72-500 deixou 62 mortos, sem sobreviventes.

A PF informou que a Justiça Federal decidiu que os indiciados não poderão deixar o país, ou terão de voltar ao Brasil caso estejam no exterior, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o inquérito e decide quais pessoas serão denunciadas.

## Quem foram os indiciados pela PF

Dos 16 indiciados, 15 responderão pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo (Artigo 261 do Código Penal). Uma pessoa, o comandante do voo da madrugada que pilotou o mesmo avião em que ocorreu a queda, foi indiciada por falsidade ideológica.

Entre os indiciados por atentado estão o diretor-presidente da Voepass, o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, que teria entregue a aeronave sem reportar falhas, o mecânico que teria se omitido de realizar manutenção, o chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC), o inspetor técnico responsável pela manutenção perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o diretor de manutenção, o gerente e o diretor do Centro de Controle Operacional (CCO), o diretor de operações, o chefe dos pilotos e o diretor de segurança operacional (safety).

## Penas previstas

A pena para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo é de 4 a 12 anos de prisão, e dobra (de 8 a 24 anos) quando o resultado é morte.

## Falhas apontadas na investigação

Segundo a PF, a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo na situação a que foi submetida, sob formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos essenciais, como o sistema de degelo e o limpador de para-brisas, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa autorizou a decolagem.

Durante o voo, os pilotos receberam avisos gradativos do sistema de segurança de que as condições estavam decaindo. Mesmo diante dos avisos sonoros e da lâmpada de "master caution", a PF afirma que eles não tomaram nenhuma atitude.

O delegado chefe da PF em Campinas, André Ribeiro, destacou que a equipe analisou dezenas de processos de fiscalização da Anac e percebeu "uma cultura realmente de omissão" implementada na empresa.

A PF também solicitou à Justiça Federal o compartilhamento das informações com a Anac e com a Procuradoria da República no Distrito Federal, para investigar possíveis falhas de servidores na fiscalização da companhia.

## Reação dos familiares

Familiares das vítimas presentes na PF em São Paulo avaliaram como criminoso o modo de operação da Voepass. Fátima Albuquerque, da Associação de Familiares das Vítimas, disse que "aquelas ações eram criminosas" e que os envolvidos "sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair".

Segundo os advogados da associação, o grupo deverá ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

## Perguntas Frequentes

### Quantas pessoas foram indiciadas pela PF?

Foram 16 pessoas, todas ligadas à Voepass, incluindo o presidente da empresa.

### Qual foi o crime imputado à maioria dos indiciados?

Atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no Artigo 261 do Código Penal.

### Qual a pena para esse crime?

De 4 a 12 anos de prisão, com dobra para 8 a 24 anos em caso de morte.

### O que acontece agora com os indiciados?

Eles não podem deixar o país enquanto o MPF analisa o inquérito e decide sobre denúncias.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/cidade/policia-federal-indicia-16-pessoas-por-queda-aviao-voepass/
