Prefeito de Igarapé Grande vai a júri popular por morte de PM
O prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), será julgado por júri popular sob acusação de matar a tiros o policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos, em julho de 2025. A decisão é do juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior.
O juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior, da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras, decidiu na última quinta-feira (3) submeter a júri popular o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT). A acusação é de ter matado a tiros o policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos durante uma vaquejada em Trizidela do Vale, em julho de 2025. Cabe recurso.
O pedetista será julgado por homicídio duplamente qualificado. Os jurados vão decidir se houve crime e, em caso positivo, se foi cometido por motivo fútil e se o PM foi atingido sem chance de se defender. Para o Ministério Público estadual, os tiros teriam sido motivados pela reclamação do policial sobre o farol do carro do prefeito, aceso e apontado para o grupo em que o policial estava. A data do julgamento ainda não foi marcada.
Ele também responderá por receptação e porte ilegal de arma de fogo. O revólver calibre .38 usado por João Vitor Xavier nunca foi encontrado. À Polícia Civil, o prefeito afirmou que jogou a arma no local depois dos tiros e que a havia ganhado de um eleitor em Pernambuco cerca de dois anos antes, sem registro. Buscas na casa dele e no gabinete da Prefeitura de Igarapé Grande, em 14 de julho de 2025, não localizaram o revólver.
O prefeito admitiu em juízo que atirou, mas sustentou que reagiu a uma agressão do policial, que teria lhe dado tapas no peito e sacado uma pistola. O juiz reconheceu que há elementos a favor dessa versão, entre eles o depoimento de uma testemunha que disse ter visto o PM sacar uma arma e o fato de a pistola do policial ter sido encontrada no chão, fora do coldre, segundo testemunha. Na decisão, porém, destaca que ninguém viu o que aconteceu entre o suposto saque da arma pela vítima e os tiros disparados pelo prefeito, e que as câmeras do parque de vaquejada não captaram o momento, encoberto por uma estrutura de lona. Por esse motivo, o magistrado mandou a questão para os jurados.
O Ministério Público pediu que o prefeito de Igarapé Grande respondesse também por crime contra policial em razão da função, o que poderia elevar a pena em caso de condenação, mas o juiz negou porque o PM estava de folga e, segundo entendeu, não havia indícios de que o prefeito sabia que a vítima era policial.
O Atual7 questionou nesta terça-feira (8) João Vitor Xavier e a defesa do prefeito, via e-mail à assessoria do município e ao escritório Daniel Leite & Advogados Associados, sobre a decisão de pronúncia, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.
Foram cinco disparos de arma de fogo, segundo a denúncia do Ministério Público, e o laudo cadavérico registra seis ferimentos, um de raspão. Um projétil entrou pela frente, no ombro esquerdo, e saiu pelas costas. Outro atingiu o antebraço direito. Três entraram pela região posterior do corpo, dois no dorso torácico esquerdo e um na lombar esquerda, com trajetória de trás para frente. É nesses três ferimentos que o juiz se apoia para deixar aos jurados a decisão sobre se o policial foi atingido sem chance de se defender, uma das duas circunstâncias que podem tornar o homicídio qualificado e aumentar a pena.
"O exame supracitado descreveu três lesões com orifícios de entrada em regiões posteriores do corpo e trajetórias de trás para frente. Somado ao fato de que os disparos foram efetuados em reduzido intervalo de tempo, esse dado fornece suporte mínimo à tese de que, ao menos durante parte da sequência, a vítima possa ter sido atingida em condições que dificultaram sua defesa", diz a decisão.
Na decisão de pronúncia, o magistrado manteve as medidas cautelares impostas ao prefeito, entre elas monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar noturno, proibição de sair da comarca e de manter contato com testemunhas. Em julho, mostrou o Atual7, o juiz da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras já havia negado a retirada da tornozeleira e uma viagem do prefeito a Bodocó, em Pernambuco, onde visitaria a avó paterna.
João Vitor Xavier é filho de Júnior Xavier, prefeito de Bernardo do Mearim, e sobrinho de Erlânio Xavier, ex-prefeito de Igarapé Grande e candidato a deputado federal. Ambos também são do PDT.