Presos de PE fingem integrar facção para aplicar golpe do amor
Detentos em Pernambuco criam perfis falsos em aplicativos de relacionamento, fingindo integrar facções criminosas para aplicar o golpe do amor. A tática envolve sedução, ameaças e extorsão. Veja como identificar e denunciar.
Presos de PE fingem integrar facção para aplicar golpe do amor
Detentos em Pernambuco estão usando perfis falsos em aplicativos de relacionamento para aplicar o chamado golpe do amor. A tática envolve fingir integrar facções criminosas, conquistar a confiança da vítima com promessas de romance e, em seguida, extorquir dinheiro sob ameaças. A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) de Pernambuco informou que investiga o uso de celulares dentro dos presídios para esses crimes.
Presos em Pernambuco criam perfis falsos em aplicativos de relacionamento, fingindo integrar facções criminosas para aplicar o golpe do amor. A tática envolve sedução, ameaças e extorsão. Veja como identificar e denunciar.
Como funciona o golpe do amor praticado por presos de PE
O modus operandi segue um roteiro planejado. O detento cria um perfil falso em aplicativos como Tinder, Bumble ou Facebook Dating, usando fotos de terceiros ou imagens geradas por inteligência artificial. A vítima é abordada com mensagens carinhosas e promessas de um relacionamento sério.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, os criminosos costumam dizer que estão em uma facção criminosa para justificar ausências ou pedidos de sigilo. A informação serve como elemento de pressão psicológica: a vítima acredita estar se relacionando com alguém perigoso e, ao mesmo tempo, romântico.
Após conquistar a confiança, o golpista inventa uma emergência: precisa de dinheiro para fugir da facção, pagar advogado ou cobrir dívidas de jogo. As transferências são feitas via Pix para contas de laranjas, muitas vezes de parentes dos detentos.
O papel das facções criminosas no esquema
A Polícia Civil identificou que, em alguns casos, os presos realmente têm vínculos com facções como o PCC ou o Comando Vermelho. Mas, na maioria das situações, a filiação é falsa: o detento apenas finge pertencer ao grupo para aumentar o poder de intimidação sobre a vítima.
A SEAP confirmou que, em 2025, foram apreendidos 1.247 celulares nas unidades prisionais de Pernambuco. Esses aparelhos são usados para acessar aplicativos de relacionamento e manter contato com as vítimas.
Perfil das vítimas e valores envolvidos
As vítimas são majoritariamente mulheres entre 30 e 50 anos, solteiras ou divorciadas, que buscam relacionamentos online. Os golpistas miram pessoas com perfil emocional vulnerável, que demonstram carência afetiva nas conversas.
Os valores extorquidos variam de R$ 200 a R$ 30 mil por vítima. Em um caso registrado em Recife em fevereiro de 2026, uma mulher de 42 anos transferiu R$ 18 mil ao longo de três meses para um detento que dizia estar "jurado de morte" pela facção (Polícia Civil de PE, boletim de ocorrência, fev/2026).
Casos reais registrados pela polícia
A Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) de Pernambuco investiga ao menos 15 casos com o mesmo padrão desde janeiro de 2025. Em um deles, o detento usava o nome falso "Marcos Oliveira" e enviava áudios com tom de voz grave, simulando ordens de um "comando" da facção.
Como identificar o golpe do amor
Alguns sinais ajudam a identificar a tentativa de golpe:
- Perfil com poucas fotos ou imagens de baixa qualidade
- Histórias inconsistentes sobre a rotina
- Pedidos de dinheiro logo nas primeiras semanas
- Recusa em fazer videochamadas
- Justificativas com tom de ameaça ou chantagem emocional
A Polícia Civil orienta desconfiar de qualquer perfil que peça transferências bancárias antes de um encontro presencial. Em caso de suspeita, a recomendação é bloquear o contato e denunciar pelo 190 ou pelo Disque Denúncia 181.
O que fazer se você foi vítima do golpe do amor
Se você transferiu dinheiro, o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela Delegacia Online. Em seguida, reúna prints das conversas, comprovantes de Pix e dados do perfil falso.
A polícia recomenda também comunicar o banco imediatamente para tentar o cancelamento da transação via Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central. O prazo para acionar o MED é de até 80 dias após a transferência.
Como funciona o MED do Banco Central
Medidas de segurança em aplicativos de relacionamento
Para evitar cair no golpe, especialistas em segurança digital recomendam:
- Ativar a verificação em duas etapas no aplicativo
- Não compartilhar dados pessoais como CPF ou endereço antes do encontro
- Preferir apps que exigem foto verificada
- Desconfiar de perfis que pedem para migrar a conversa para WhatsApp muito rápido
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Procon) orienta que, se o aplicativo não tomar providências após denúncia, a vítima pode registrar reclamação no site consumidor.gov.br.
Perguntas Frequentes
O que é o golpe do amor?
É um crime em que o golpista cria um perfil falso em aplicativos de relacionamento, conquista a confiança da vítima com promessas de romance e, depois, pede dinheiro sob algum pretexto.
Como presos conseguem celular na cadeia?
A SEAP informa que celulares entram nos presídios por meio de visitas, drones ou arremessos por cima dos muros. Apreensões são constantes, mas o número de aparelhos ainda é alto.
Qual o valor médio do golpe?
Não há estatística oficial consolidada, mas registros policiais indicam que os valores variam de R$ 200 a R$ 30 mil por vítima.
É possível recuperar o dinheiro perdido?
Sim, em parte. Se a transferência for por Pix, o Banco Central permite o pedido de devolução via MED em até 80 dias. A polícia também pode rastrear as contas dos laranjas.
Como denunciar um perfil falso?
Dentro do próprio aplicativo, use a opção de denunciar. Fora dele, ligue para 190 ou Disque Denúncia 181, ou registre boletim de ocorrência online.
O golpe do amor é crime?
Sim, configura estelionato (artigo 171 do Código Penal), com pena de 1 a 5 anos de reclusão, podendo ser aumentada se houver uso de facção criminosa.