# Flávio acusa Dino de agir politicamente na operação Dark Horse

> Flávio Bolsonaro afirmou em Boa Vista (RR) que a operação Dark Horse, da Polícia Federal, tem motivação política do ministro Flávio Dino. O senador negou uso de dinheiro público no filme Dark Horse. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal.

*Folha Regional · Cidade · 10 de setembro de 2026 · Tatiana Réis*

Em Boa Vista (RR), Flávio Bolsonaro negou uso de dinheiro público no filme Dark Horse e atribuiu a operação da PF a motivação política do ministro Flávio Dino. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no DF.

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, acusou nesta quinta-feira (10/9) o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir nas eleições. A declaração foi dada em Boa Vista (RR), após a Polícia Federal deflagrar a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de emendas envolvendo pessoas ligadas ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A resposta direta: Flávio nega que dinheiro público tenha sido usado na produção do longa e afirma que a operação determinada por Dino tem motivação política. A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

"Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, eu já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás pra frente, de um lado pro outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada", disse o senador.

Entre os alvos da operação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, e Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. Duas entidades ligadas a ela, o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, também foram alvo de buscas.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou indícios de irregularidades envolvendo R$ 2 milhões em emendas indicadas por Frias para entidades ligadas a Karina. Os investigadores apuram se recursos foram direcionados a empresas subcontratadas de forma irregular e se os serviços pagos foram efetivamente prestados. Há ainda uma linha conduzida pela PF sobre a possível utilização desses valores no financiamento do filme.

A operação ocorre num momento em que aliados de Flávio demonstram preocupação com a possibilidade de investigações, decisões do STF ou ações da PF atingirem o candidato antes do primeiro turno. Pessoas próximas ao senador já relatavam temor de operações ou vazamentos relacionados ao Dark Horse e a outras apurações.

A preocupação havia aumentado na quarta (9/9), quando Dino citou a investigação sobre as emendas relacionadas a pessoas envolvidas com o filme ao determinar a volta de Andrei Rodrigues ao comando da PF. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu essa decisão e afirmou que a permanência de Andrei seria analisada posteriormente pela presidência da Corte.

Nesta quinta, Flávio relacionou diretamente a operação ao processo eleitoral. "O que tem, claramente, é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições", declarou. Ele também afirmou, sem apresentar provas, que a motivação era política e estava ligada à melhora do seu desempenho nas pesquisas. "Qual o fundamento dessa operação? Político. Flávio Bolsonaro ultrapassou o Lula nas pesquisas oficiais do próprio Lula", alegou.

As investigações relacionadas ao Dark Horse estão divididas em frentes diferentes. O caso sob responsabilidade de Dino apura o possível uso irregular de dinheiro público proveniente de emendas parlamentares. Frias já havia negado ao STF que recursos destinados a entidades ligadas a Karina tenham sido enviados para qualquer produção cinematográfica.

Outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, investiga os repasses feitos pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio, e busca esclarecer o destino do dinheiro. Na quarta, Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Dono da Entre Investimentos e Participações, ele participou das transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, usado para custear gastos relacionados à produção.

Freixo afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que fez sete transferências ao fundo a pedido de Vorcaro. Os aportes somaram US$ 12,3 milhões. A PF apura se todo o dinheiro foi destinado ao filme e se parte dos recursos teve outra finalidade.

Questionado se a operação impactaria a campanha, Flávio respondeu: "Zero". "Zero, zero, zero. A gente não enxerga eles nem mais no retrovisor", acrescentou. Em Boa Vista, voltou a associar Lula ao Supremo e disse que o presidente dependeria de ministros da Corte para tentar derrotá-lo fora das urnas.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/cidade/ta-tao-evidente-isso-tudo-tirar-moraes-foco-flavio-acusa-dino-agir-politicamente/
