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Apostadores de bet em periferias buscam ajuda após perdas

ResumoApostadores de bet em periferias do Distrito Federal e de Goiás acumulam dívidas de até R$ 200 mil, com relatos de venda de bens e colapso familiar. A busca por ajuda em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) cresce após perdas financeiras severas. Especialistas associam o endividamento à vulnerabilidade social, que amplifica o risco de dependência e sofrimento psíquico.

Apostadores de bet em periferias do DF e Goiás relatam dívidas de até R$ 200 mil, venda de bens e colapso familiar. Muitos buscam ajuda em Caps após perderem o controle. Especialistas alertam para o impacto da vulnerabilidade social.

Tatiana Réis
Tatiana Réis Repórter de serviço · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Apostadores de bet em periferias buscam ajuda após perdas

Apostadores de bet em periferias do Distrito Federal e de Goiás relatam que a vida virou um pesadelo após acumularem dívidas que chegam a mais de R$ 200 mil. Kaio*, 42 anos, morador de área periférica do DF, perdeu o carro, os móveis e a casa da família. O casamento acabou. Hoje, ele dorme sobre papelão em um dormitório alugado e faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

Em uma madrugada de julho, Kaio recebeu anúncios de apostas no celular. Em minutos, perdeu R$ 5 mil, dinheiro emprestado por um amigo para pagar dívidas com agiotas. "Pareceu que se passaram poucos minutos. Quando olhei para trás, meu filho não estava mais", conta. Ele perdeu a noção do tempo por mais de três horas, um dos sinais da ludopatia, transtorno de controle de impulsos.

A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade, das classes C e D, são as mais atingidas. "Quando você pensa em um jovem que reside numa comunidade, todo o dinheiro que ele perde impacta na subsistência da família", afirma. O endividamento em cascata agrava sintomas como depressão, ansiedade e ideação suicida.

João, 32 anos, paraplégico após uma briga, faz tratamento semanal em um Caps, acompanhado pela mãe. Ele não sabe quanto perdeu. Ricardo, 26 anos, pedreiro autônomo da comunidade do Sol Nascente, a segunda maior favela do Brasil, estima perdas de mais de R$ 100 mil desde 2018. "Já fiquei até de madrugada. A abstinência bate tão forte que a gente não consegue ter uma noite de sono normal", relata.

A psicóloga Claudia Feres, da secretaria de Saúde do DF, orienta que o tratamento segue a lógica de redução de danos, afastando a pessoa do celular. "Há quem comece a usar os joguinhos por desinformação e falta de perspectiva", diz. Ela reforça que familiares devem procurar atendimento o quanto antes ao notar sinais como isolamento, troca da noite pelo dia e nervosismo. como identificar sinais de dependência em apostas tratamento gratuito para ludopatia no SUS

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