# Aqui não tem propaganda de bets: entenda a iniciativa de veículos

> Um grupo de veículos de jornalismo lançou iniciativa contra propaganda de bets. Dados indicam que apostas são principal fator de endividamento no Brasil, com R$ 3 bilhões do Bolsa Família gastos em agosto de 2024. A ação busca conscientizar sobre riscos financeiros e sociais das plataformas de apostas online.

*Folha Regional · Comunidade · 22 de julho de 2026 · Tatiana Réis*

Um grupo de veículos de jornalismo se posicionou contra a propaganda de bets. Dados mostram que as apostas são o principal fator de endividamento, com R$ 3 bilhões do Bolsa Família gastos em agosto de 2024. Conheça a iniciativa.

## Aqui não tem propaganda de bets: o jornalismo independente contra a epidemia das apostas

Quando a saúde, o bem-estar e o orçamento das famílias brasileiras estão em risco, o jornalismo profissional precisa se posicionar. É com essa convicção que dezenas de veículos de comunicação lançaram a iniciativa "Aqui não tem propaganda de bets", um manifesto contra a influência das casas de apostas online no debate público.

A iniciativa reúne veículos que se recusam a aceitar anúncios de bets. O movimento é baseado em dados que apontam as apostas como o principal fator de endividamento dos brasileiros, cinco vezes mais que cartões de crédito e empréstimos, segundo o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo.

## Por que o jornalismo está se posicionando contra as bets

O setor de apostas online foi liberado em 2018 e apenas regulamentado em 2023. Nesse período, as empresas do setor acumularam poder econômico e político, arregimentando grande influência no Congresso Nacional. Essa influência impede o avanço de matérias regulatórias mais estritas.

Os lucros do setor são exorbitantes. Segundo a Kantar Ibope Media, as empresas de bet investiram só em 2024 R$ 2,3 bilhões em compra de mídia no Brasil, 58% disso para TV e 42% para o digital. Já a receita bruta dessas empresas chegou a R$ 37 bilhões no ano passado.

Anúncios de bets estão por todos os lados: em jogos e programas de TV, sites da internet, jornais, revistas, shows e festas populares. Empresas de apostas online batem cotidianamente à porta de empresas jornalísticas e até de organizações sem fins lucrativos oferecendo anúncios e parcerias.

## Dados alarmantes: endividamento e Bolsa Família

Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo indica que as bets são hoje o principal fator de endividamento dos brasileiros, cinco vezes mais que os cartões de crédito e empréstimos.

Os recursos oriundos do Bolsa Família gastos em bets chegaram a R$ 3 bilhões em agosto de 2024, segundo o Banco Central. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) aponta que 1,8 milhão de assistidos usaram o cartão do programa Bolsa Família em casas de apostas.

Dados do Instituto Locomotiva mostram que um terço dos apostadores já estavam endividados em 2024 e 45% afirmaram que as apostas já causaram prejuízo. Ao mesmo tempo, os números de afastamentos no INSS por ludopatia, compulsão por jogos, deram um salto de mais de 2000%.

## Ludopatia: a face invisível da epidemia

A compulsão por jogos, conhecida como ludopatia, é um dos efeitos mais graves da expansão das bets. O aumento de mais de 2000% nos afastamentos no INSS por esse motivo revela uma epidemia silenciosa.

Essa epidemia tem vulnerabilizado, sobretudo, os mais pobres. A seriedade da situação não pode ser relativizada por interesses comerciais, sob pena de minar a credibilidade do jornalismo.

## O manifesto e os veículos participantes

A iniciativa "Aqui não tem propaganda de bets" é um posicionamento institucional contra a influência crescente das bets no debate público. Os veículos que fazem parte desta iniciativa se recusam a aceitar anúncios de apostas online.

Entre os participantes estão: 100fronteiras.com, A Seguir Niterói, A Vida no Centro, agência Carta Amazônia, Agência Lupa, Agência Nossa, Agência Pública, Agência Tatu, Agora RS, Alma Preta, Amado Mundo, Amazonas Atual, Amazônia Vox, Aos Fatos, As Cunhãs Podcast, Atual7, Coar Notícias, Conexão Planeta, Desinformante, Eficientes, Eh Fonte, Escotilha, Fast Company Brasil, ICL Notícias, Jornal GGN e TV GGN, Jornalistas&Cia, Juicy Santos, Lunetas, MANGUE JORNALISMO, Manual do Usuário, Matinal, Meio, Meus Sertões, MigraMundo, Mobile Time, My News, NeoFeed, Nonada Jornalismo, Notícia Preta, Outras Palavras, Periferia em Movimento, Plataforma Ocorre Diário, Plural, Podcast Ciência Suja, Ponte Jornalismo, Portal Cansei De Ser Pop, Portal Convergência Digital, Portal Imprensa, Portal Neo Mondo, Porto+ Noticias, Porvir, Rádio Escafandro, Reset, Revista O Grito!, Startups, The AgriBiz, The Conversation Brasil, The Gaming Era, TI Inside.

## O que a iniciativa defende

Os veículos participantes repudiam publicamente a influência das bets, sobretudo sobre o jornalismo. O papel do jornalismo é o da defesa da sociedade: investigar, denunciar com independência o poder indevido do setor e exigir das autoridades regras mais estritas às propagandas e à atuação das bets.

Ao aceitar propagandear os jogos online, os veículos consideram que estariam contradizendo informações apuradas com rigor pelas suas equipes.

Mais do que isso: entendem que os veículos de jornalismo precisam se posicionar institucionalmente contra a influência crescente das bets no debate público, seja pelo lobby, seja pela compra de espaços publicitários. Devem, ainda, cobrar das autoridades ações para proteger a população da propaganda e da influência pública das bets, assim como regular sua atuação e trabalhar para mitigar os danos já causados.

## Como o problema afeta você

Se você é consumidor de conteúdo digital ou televisivo, está exposto diariamente a anúncios de bets. Eles aparecem em jogos de futebol, programas de TV, sites de notícias e redes sociais.

Se você ou alguém próximo usa o Bolsa Família, os dados mostram que R$ 3 bilhões do programa foram gastos em apostas em apenas um mês. Isso representa recursos que deveriam ir para alimentação, saúde e educação.

Se você está endividado, as bets podem ser um fator agravante. O estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo aponta que as apostas são hoje o principal fator de endividamento, superando cartões de crédito e empréstimos.

## O que pode ser feito

Para combater essa epidemia, os setores público e privado e a sociedade organizada têm de atuar conjuntamente e com a urgência que a questão social exige.

Os veículos participantes cobram das autoridades:

- Regras mais estritas às propagandas de bets
- Regulação mais rigorosa da atuação das empresas
- Ações para proteger a população da propaganda
- Mitigação dos danos já causados aos apostadores

## Perguntas Frequentes

### O que é a iniciativa "Aqui não tem propaganda de bets"?

É um manifesto de veículos de jornalismo que se recusam a aceitar anúncios de casas de apostas online, baseado em dados sobre os danos sociais causados pelas bets.

### Quantos veículos participam da iniciativa?

Mais de 60 veículos de todo o Brasil participam, entre sites, agências, rádios e revistas.

### Quanto as bets gastaram em publicidade em 2024?

Segundo a Kantar Ibope Media, as empresas de bet investiram R$ 2,3 bilhões em compra de mídia no Brasil em 2024.

### Qual o impacto das bets no Bolsa Família?

Em agosto de 2024, R$ 3 bilhões do Bolsa Família foram gastos em bets, e 1,8 milhão de assistidos usaram o cartão do programa em casas de apostas.

### O que é ludopatia?

É a compulsão por jogos. Os afastamentos no INSS por esse motivo aumentaram mais de 2000%.

### Como posso saber se um veículo participa da iniciativa?

A lista completa de veículos participantes está disponível no manifesto original, publicado pelo Atual7.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/comunidade/aqui-nao-tem-propaganda-bets/
