# Jornalista da Globo admite erro da imprensa sobre o STF

> Merval Pereira, jornalista da Globo, admitiu no Estúdio i, da GloboNews, que a imprensa foi leniente com medidas do STF em casos como o 8 de janeiro e o Inquérito das Fake News. A declaração ocorre em meio à crise interna da Corte e reacende o debate sobre a cobertura jornalística do Judiciário.

*Folha Regional · Eventos · 10 de setembro de 2026 · Tatiana Réis*

Merval Pereira afirmou no Estúdio i, da GloboNews, que jornalistas foram lenientes com medidas do STF em processos como o do 8 de janeiro e o Inquérito das Fake News. A declaração ocorre em meio à crise interna da Corte.

Merval Pereira, colunista de O Globo, comentarista da GloboNews e presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), afirmou nesta quarta-feira (9) que parte da imprensa brasileira precisa reconhecer erros cometidos ao longo dos últimos anos na cobertura e no apoio a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada durante o programa Estúdio i, da GloboNews.

Merval disse que jornalistas e veículos foram lenientes diante de medidas adotadas pelo Supremo em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o chamado Inquérito das Fake News.

## O que Merval Pereira disse no Estúdio i

"Nós, da imprensa, temos de fazer um mea-culpa. Eu começo por mim. A gente tende a aceitar certas medidas que são claramente fora da lei, do normal, porque acha que o sujeito lá merece ser condenado porque participou do golpe", afirmou o jornalista.

Segundo ele, a justificativa de combater ameaças à democracia não pode servir para relativizar regras jurídicas ou procedimentos institucionais. Merval argumentou que a imprensa aceitou determinadas medidas por considerar que os alvos das decisões mereciam ser responsabilizados, e que esse comportamento contribuiu para a flexibilização de limites que deveriam ser observados pelo Judiciário.

Ao explicar o mea-culpa, reconheceu que a imprensa deveria ter sido mais rigorosa na análise dos limites das decisões judiciais, independentemente de quem estivesse sendo investigado ou julgado.

## Crise interna no STF embala a declaração

A manifestação ocorre em meio a uma escalada de divergências entre ministros do STF. Também nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a recondução de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, contrariando decisão anterior de André Mendonça. Em seguida, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões de ambos e determinou que o caso seja analisado pelo plenário da Corte.

Na semana passada, Fachin já havia retirado de Alexandre de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News e determinado que eventuais investigações envolvendo ministros da Corte dependam de sua autorização.

Criado em 2019 por determinação do então presidente do STF, Dias Toffoli, o inquérito foi instaurado de ofício e teve Alexandre de Moraes designado como relator. O procedimento investiga a divulgação de notícias consideradas falsas, ameaças, calúnias e ataques contra ministros do Supremo, seus familiares e a própria instituição. O modelo de abertura e condução é alvo de críticas desde a criação, especialmente pela ausência de sorteio para definição da relatoria e pela concentração de diferentes funções no curso das investigações.

Para quem acompanha o noticiário jurídico e político, a fala de Merval sinaliza uma mudança de tom no debate público sobre a atuação do STF, em um momento de decisões individuais conflitantes entre ministros e questionamentos sobre os limites de suas atribuições.

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/eventos/ate-enfim-jornalista-globo-admite-erro-imprensa-ao-apoiar-decisoes-stf/
