# Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades

> A crise político-institucional brasileira, a menos de um mês do primeiro turno de 2026, desvia o debate eleitoral das propostas de campanha. Entidades ouvidas pela Agência Brasil apontam lacunas nos programas dos candidatos em temas como ciência, trabalho e clima, comprometendo a discussão de políticas públicas prioritárias para o país.

*Folha Regional · Eventos · 14 de setembro de 2026 · Wellington Frota*

A menos de um mês do primeiro turno de 2026, a crise político-institucional domina o noticiário e desvia o foco das propostas de campanha. Entidades ouvidas pela Agência Brasil apontam lacunas em temas como ciência, trabalho e clima.

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros. Para entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil, ao extrapolarem o Supremo Tribunal Federal (STF) e envolverem outras instituições, as disputas entre ministros da Corte dominaram o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas, desviando o foco dos desafios nacionais.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, reconheceu que o debate eleitoral está prejudicado porque as atenções estão voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário. Já a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, afirmou que a agenda pré-eleitoral foi tomada por temas que a sociedade não escolheu e que deveriam ser debatidos em conjunto com propostas de mudanças estruturais.

"Há uma lacuna imensa em relação a outros temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção", comentou Francilene.

Os entrevistados concordam que os fatos vindos à tona a partir dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal, são graves. Eles defendem a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades com o dono do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro, mas sem tirar espaço do debate sobre as propostas de quem disputará um cargo executivo ou legislativo no dia 4 de outubro.

Para o coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, as eleições deste ano são as mais relevantes desde a Constituição de 1988, pois o mundo vive uma reorganização produtiva e uma série de conflitos. Ele criticou o fato de temas como desenvolvimento econômico, soberania nacional, defesa, educação, ciência e tecnologia estarem escanteados não só do debate público, mas também dos programas de governo.

A presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, listou prioridades da classe trabalhadora: o fim da escala 6x1, a geração de emprego e renda, a regulamentação da negociação coletiva no setor público (Projeto de Lei 1.893/2026), a segurança pública e temas estratégicos como o aproveitamento dos minerais críticos e estratégicos. Segundo ela, as centrais sindicais vinham atuando no Congresso até o fim de agosto, mas a crise jogou todos os outros temas para segundo plano.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, lembrou os eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e na Amazônia e criticou a ausência do tema nas campanhas. "Surpreendentemente, poucos candidatos citam a crise climática entre suas principais preocupações. Pior. Há candidatos que negam o problema", afirmou.

O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, destacou a importância dos minerais críticos e das terras raras para a soberania nacional e cobrou salvaguardas socioambientais e consulta prévia, conforme a Convenção 169 da OIT. Ele relativizou o impacto da crise institucional para as comunidades indígenas, acostumadas a não verem suas prioridades acolhidas no debate eleitoral. O movimento decidiu lançar e apoiar 56 candidatos a cargos eletivos.

eleições 2026 Operação Compliance Zero

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/eventos/crise-institucional-prejudica-debate-eleitoral-avaliam-entidades/
