Espanha calcula 73.500 saídas de Ceuta e 88 mortos
Cerca de 73,5 mil pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta já deixaram a cidade desde quinta-feira, segundo estimativa das Forças de Segurança do Estado da Espanha. O balanço oficial mantém 72 mortos, mas 88 corpos já foram retirados do mar, indicando que o total pode aumentar.
Espanha calcula 73.500 saídas de Ceuta e 88 mortos: o que se sabe até agora
A Espanha estima que cerca de 73,5 mil pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta já deixaram a cidade desde quinta-feira, segundo balanço divulgado neste domingo pelas Forças de Segurança do Estado à agência EFE. O número oficial de mortos segue em 72, mas as autoridades locais informaram que 88 corpos foram retirados do mar e levados ao necrotério, o que sugere que o total de vítimas pode crescer conforme novas identificações sejam concluídas.
O que dizem os números oficiais sobre as saídas de Ceuta
As estimativas iniciais do governo espanhol apontavam entre 50 mil e 60 mil pessoas chegadas ilegalmente ao enclave entre quinta e sexta-feira. Até o fim da sexta, mais de 48 mil já haviam retornado espontaneamente ao Marrocos, segundo dados oficiais obtidos pela agência Lusa.
O retorno teria sido impulsionado pela pressão dos militares enviados pelo governo espanhol e pelo anúncio de um acordo de repatriação rápida firmado entre Espanha e Marrocos, que prevê consequências legais e práticas para migrantes interceptados. A Guarda Civil espanhola também instalou uma barreira pneumática flutuante de 500 metros para reforçar a vigilância.
Quem são as vítimas e o que se sabe sobre as mortes
As vítimas morreram afogadas ao tentar chegar ao território espanhol, informou o delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano. O balanço oficial mantém 72 mortos, mas 88 corpos já foram retirados do mar, indicando que o número final pode ser maior.
A maioria dos que permanece em Ceuta não é marroquina, mas oriunda de países da África Subsaariana, regiões marcadas por pobreza, epidemias e conflitos armados. Uma pequena parcela dos migrantes que desembarcou nos últimos dias continua acampada nas praias, exausta e com fome, à espera de resposta ao pedido de asilo.
A crise humanitária e a resposta das autoridades
Ceuta enfrenta dificuldades para atender ao grande fluxo. Segundo a EFE, nos últimos dois dias não havia comércios nem bares abertos onde os recém-chegados pudessem comprar comida. O enclave espanhol no norte da África tem cerca de 83 mil habitantes.
A maior entrada em massa de migrantes da história de Ceuta desencadeou uma crise diplomática para a Espanha. Diversos aliados europeus passaram a criticar o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pelas políticas favoráveis à regularização de migrantes e cobraram resposta mais dura.
Reações internacionais e medidas da União Europeia
A União Europeia convocou reunião por videoconferência para terça-feira, após 22 países do bloco divulgarem carta aberta pedindo resposta rápida e coordenada. A Itália suspendeu por um mês a aplicação do Acordo de Schengen para chegadas procedentes da Espanha, restabelecendo controles para cidadãos de fora da UE sem afetar viajantes espanhóis.
Em carta aos líderes europeus, Sánchez criticou a reação que classificou como "egoísta" de parte dos parceiros do bloco.
O papel do Marrocos e as explicações para o fluxo
O governo do Marrocos continua sem divulgar balanço oficial de mortos ou detenções e ainda não comentou os acontecimentos. A Espanha atribui a travessia em massa à atuação de grupos criminosos que espalharam rumores de que uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol facilitaria a entrada de migrantes.
Analistas avaliam que Rabat pode ter permitido o fluxo para pressionar Madri, que recentemente se reaproximou da Argélia, rival regional do Marrocos.
Posição da Igreja e de organizações de direitos humanos
O Papa Leão XIV fez breve referência à crise em Ceuta durante a bênção do Angelus, pedindo soluções de paz, estabilidade e justiça.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) relatou "quase 130 vítimas" e dezenas de desaparecidos, pedindo investigação independente sobre as causas do fluxo entre Castillejos e Ceuta. A organização condenou o "silêncio inquietante das autoridades e das instituições" do país.
Uma fonte próxima da organização declarou à AFP que "a forma como os fatos ocorreram" sugere que as chegadas não teriam acontecido "sem o acordo das autoridades" marroquinas.
Perguntas Frequentes
Quantas pessoas saíram de Ceuta até agora?
Cerca de 73,5 mil pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta já deixaram a cidade desde quinta-feira, segundo estimativa das Forças de Segurança do Estado da Espanha.
Qual o número oficial de mortos na crise de Ceuta?
O balanço oficial mantém 72 mortos, mas 88 corpos já foram retirados do mar e levados ao necrotério, indicando que o total pode aumentar.
O que motivou a entrada em massa em Ceuta?
A Espanha atribui a travessia à atuação de grupos criminosos que espalharam rumores sobre uma decisão do Supremo Tribunal espanhol. Analistas apontam possível pressão do Marrocos sobre Madri.
Qual foi a reação da União Europeia?
A UE convocou reunião por videoconferência para terça-feira, após 22 países pedirem resposta coordenada. A Itália suspendeu o Acordo de Schengen por um mês para chegadas da Espanha.
O que disse o Papa sobre a crise?
O Papa Leão XIV expressou preocupação com a "alarmante situação em Ceuta" e pediu soluções de paz, estabilidade e justiça.