# Protagonismo indígena na restauração de terras: o que muda

> Protagonismo indígena na restauração de terras degradadas na Amazônia supera o simples plantio de árvores. Comunidades indígenas detêm 1,79 milhão de hectares potenciais para recuperação, com participação central na proteção de nascentes, geração de renda e fortalecimento de conhecimentos tradicionais. A abordagem integra manejo ecológico, soberania alimentar e valorização cultural, transformando a restauração em processo socioambiental liderado pelos povos originários.

*Folha Regional · Eventos · 06 de setembro de 2026 · Tatiana Réis*

No Dia da Amazônia, especialistas defendem que a restauração de terras degradadas em territórios indígenas vá além do plantio. Com 1,79 milhão de hectares potenciais, a participação das comunidades é central para proteger nascentes, gerar renda e fortalecer conhecimentos tradicio

No Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), especialistas defendem o protagonismo indígena na restauração de terras degradadas como forma de ir além do plantio de árvores. A recuperação, segundo eles, pode proteger nascentes, ampliar a segurança alimentar, trazer de volta espécies usadas pelas comunidades e gerar renda. A discussão ocorre enquanto o Brasil amplia metas de recuperação: na COP17, em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país assumiu o compromisso de restaurar mais de 163 mil km² até 2030.

Dados do TerraClass 2022 indicam que terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares degradados, principalmente por pastagens, além de 24,4 mil hectares para agricultura e 18,9 mil para mineração. Há ainda 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somados, esses números representam potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares em territórios indígenas.

Apesar das pressões, esses territórios seguem entre os mais conservados do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

Para a indígena do povo Kaingang e especialista da TNC Brasil, Diana Nascimento, números de hectares recuperados não bastam para medir sucesso. "Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida", afirma. Ela diz que a participação indígena redefine o que é restaurar: não se trata só de quantas árvores foram plantadas, mas de quais espécies são importantes para aquele povo e como a restauração fortalece a gestão e a autonomia do território.

Definir áreas prioritárias é um desafio diante da extensão dos territórios e da limitação de recursos. Para apoiar esse planejamento, a Funai desenvolveu um sistema integrado de informações sobre conservação e restauração em terras indígenas, em parceria com a TNC Brasil, a Coiab e o programa britânico UK PACT. A ferramenta reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade e governança territorial, entre outros.

Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que o sistema permite combinar variáveis e atribuir pesos conforme os objetivos de cada projeto. Uma terra indígena com cabeceiras de rios ou matas ciliares degradadas pode receber prioridade mesmo sem ter o maior nível de degradação. O resultado é um índice comparativo que indica quais territórios merecem atenção, mas Florez ressalta: "O modelo pode indicar uma terra indígena específica para a implementação de determinado projeto. Mas, se a liderança não quiser, não estiver interessada ou se a iniciativa não estiver entre as prioridades da gestão daquele território, isso deverá ser respeitado".

A proposta está alinhada à PNGATI e dialoga com o Planaveg, que prevê recuperar 12 milhões de hectares até 2030. Diana reforça que fortalecer as comunidades é parte do processo: "Um território com uma governança fortalecida e comunidades mais resilientes tem maior capacidade de conservar seus recursos naturais, enfrentar as pressões externas e responder aos impactos das mudanças climáticas".

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Fonte (canonical): https://folharegionalpacaembu.com.br/eventos/especialistas-defendem-protagonismo-indigena-restauracao-terras/
