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Gonet pede nulidade do relatório da PF sobre Vorcaro e Moraes

ResumoPaulo Gonet, procurador-geral da República, solicitou a nulidade do relatório da Polícia Federal que analisou mensagens de Daniel Vorcaro. O pedido baseia-se em supostas irregularidades processuais na coleta e interpretação dos dados. A defesa de André Mendonça rebate os argumentos, defendendo a validade do material. A decisão caberá ao Supremo Tribunal Federal, que avaliará os fundamentos jurídicos apresentados pelas partes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da PF que analisou mensagens de Daniel Vorcaro. Entenda os argumentos e o que diz a defesa de André Mendonça.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 02 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Gonet pede nulidade do relatório da PF sobre Vorcaro e Moraes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório produzido pela Polícia Federal sobre as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material ampliou a crise política em torno do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Gonet sustenta que André Mendonça, relator do caso, ultrapassou os limites de sua competência.

Segundo Gonet, a partir do momento em que apareceram referências a Moraes, Mendonça não poderia determinar o aprofundamento das pesquisas sem autorização prévia do plenário do Supremo. Por isso, considera nula a ordem e o relatório da PF. Ele citou um precedente do STF, o caso Banestado, em que a Corte anulou uma condenação por atuação incompatível do juiz Sergio Moro.

A tese de interlocutores de Mendonça é diferente. Eles afirmam que o ministro não determinou investigação contra Moraes, apenas a identificação dos interlocutores de Vorcaro. O nome de Moraes surgiu durante o trabalho da PF, sem investigação prévia. A controvérsia será decidida pelo próprio STF.

Mensagens recuperadas pela PF mostram Vorcaro pedindo a Moraes que tentasse "sensibilizar" o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para adiar uma operação. Em 17 de novembro de 2025, um dia após esse pedido, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos. O relatório registra 187 interações com um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA".

O material também menciona Gonet, por meio do advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master. Em março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet. A PF não afirma que Gonet participou das chamadas. O caso envolve ainda um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com suposta participação do ministro na edição do contrato.

Os fatos documentados não comprovam, por si só, irregularidades. As mensagens não permitem afirmar qual foi a resposta de Moraes às solicitações de Vorcaro. A discussão sobre conflito de interesses e limites da atuação de ministros do STF segue em aberto, com desdobramentos políticos e jurídicos que conectam o caso ao cenário nacional de tensão entre os Poderes.

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