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Grito dos Excluídos: atos por moradia e contra violência

ResumoO Grito dos Excluídos, em sua 32ª edição, reuniu movimentos sociais em marchas por moradia e contra a violência em mais de 50 cidades brasileiras. Em São Paulo, o ato culminou com missa na Catedral da Sé; no Rio de Janeiro, a manifestação percorreu a Avenida Presidente Vargas. A mobilização nacional reforçou pautas de direitos sociais e segurança pública.

Movimentos sociais realizaram a 32ª edição do Grito dos Excluídos com marchas em mais de 50 cidades. Em São Paulo, ato terminou com missa na Catedral da Sé; no Rio, marcha cruzou a Avenida Presidente Vargas.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 07 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Grito dos Excluídos: atos por moradia e contra violência

Movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos, com marchas e atos em mais de 50 cidades de todas as regiões do país, segundo os organizadores. O lema da edição foi "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!".

As reivindicações incluíram moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), enfrentamento do feminicídio e de todas as formas de violência contra as mulheres, combate ao racismo e à LGBTfobia, além do fim da escala de trabalho 6x1.

Na capital paulista, os manifestantes percorreram o centro e encerraram com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes da caminhada, houve café da manhã comunitário. A ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, defendeu que a liberdade será plena quando não houver mais pessoas em situação de rua no país. "A gente faz uso desse dia para dizer: Olha, não temos liberdade ainda, temos que avançar muito para ser um país, uma sociedade em liberdade", afirmou à Agência Brasil.

O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, pediu defesa da democracia para evitar interferência econômica nas eleições. Deuza Cordeiro de Lima foi à manifestação protestar contra a violência policial. O filho dela, Thiago, foi assassinado em janeiro de 2023, na região central da capital. "Vim como em outros anos denunciar a violência. Meu filho foi morto pela polícia, e seus assassinos estão livres. Ele era inocente, mais um de tantos, e não vou ficar quieta", disse.

No Rio de Janeiro, o ato cruzou a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro, e começou após o Desfile de Sete de Setembro. Um grupo de ativistas levou teatro para a manifestação, com esquetes em defesa da soberania nacional e da democracia, conduzidos pela Escola de Teatro Popular. Um dos coordenadores é o pesquisador teatral e dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal (1931-2009), fundador do Teatro do Oprimido. Julian explicou que a encenação retratou que a participação democrática não se encerra com as eleições.

A defesa da moradia foi um dos gritos mais exaltados. Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, lamentou que as demandas fiquem "subordinadas ao calendário eleitoral", criticando ameaças de despejo e leilões de imóveis públicos que não cumprem função social. O percurso também teve críticas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, defesa do fim da escala 6x1 (aprovada pela Câmara e que ainda precisa passar no Senado) e fotos de vítimas da Ditadura Militar (1964-1985), além de um globo cenográfico de cerca de três metros sobre o meio ambiente.

Um grupo de cerca de 15 pessoas tentou hostilizar participantes com gritos, mas policiais militares intervieram e o grupo se afastou, sem registro de confusão. Integrantes do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília manifestaram preocupação com a crise ecológica, apresentando uma carta de compromisso com a ecologia integral para candidatos do campo progressista. A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo alertou: "O planeta está sendo destruído e se não mudarmos a política ecológica... logo não teremos mais onde habitar". A engenheira florestal Ana Clara Botafogo, filha de Maria do Carmo, disse que o documento será entregue a todos os eleitos após as eleições, independentemente do campo ideológico.

Para a professora universitária Altaci Kokama, o Grito dos Excluídos consolidou-se como um momento em que os excluídos "têm voz e vez para apresentar suas demandas", reconhecendo o desafio de mobilizar quem não tem estrutura para participar.

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