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Marques se declara impedido em julgamento do relatório da PF

ResumoNunes Marques declarou-se impedido no julgamento do relatório da PF que contém mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. O impedimento foi anunciado após a revelação de diálogos que mencionam pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro. A decisão afasta Nunes Marques da análise do caso no Supremo Tribunal Federal.

Ministro Nunes Marques se declarou impedido para julgar o relatório da PF com mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Decisão veio após revelação de diálogos que citam pagamentos ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques.

Tatiana Réis
Tatiana Réis Repórter de serviço · 15 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Marques se declara impedido em julgamento do relatório da PF

O ministro Nunes Marques se declarou impedido para participar do julgamento do relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. A decisão foi tomada após a revelação de diálogos que citam pagamentos de Vorcaro ao seu filho, o advogado Kevin Marques.

O ministro afirmou que nunca julgou processos do Banco Master e que não há registro de mensagens suas com Vorcaro. "É bom que registre que, em relação ao caso, eu nunca troquei nenhuma mensagem, não há registro de nenhuma mensagem minha com Daniel Vorcaro", disse. "A minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas."

Nunes Marques também justificou o impedimento pela condição de presidente do TSE. "Em que pese, e os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político eleitoral. Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento", declarou.

Um diálogo encontrado no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trata de pagamentos ao advogado Kevin Marques. Na conversa, o ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó responde uma mensagem de Vorcaro com dados de Kevin e cita o valor de R$ 500 mil por mês. Em mensagem de agosto de 2025, Rennó afirma que está faltando um pagamento à "consult". "Esse aí. Único 'meu' que faltou", acrescentou.

Um mês antes, em julho de 2025, Rennó perguntou ao banqueiro se deveria manter o repasse de "500 mil mês" ao advogado. Vorcaro respondeu com "kkkk".

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo publicada em março deste ano mostrou que a Consult Inteligência Tributária fez pagamentos de R$ 281,6 mil a Kevin. Por meio de sua assessoria, o advogado negou ter recebido recursos do banco e afirmou que prestou serviços jurídicos a uma consultoria mencionada na conversa. Em nota, a assessoria declarou que ele nunca prestou serviços ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro, mas recebeu R$ 281,6 mil da Consult, "empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa". "A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal", diz o texto.

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu serenidade aos colegas no início da sessão. "A divergência é legítima. O confronto pessoal, não. E a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente", afirmou. "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos."

O relatório da PF foi elaborado por ordem do ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master, e encaminhado à Procuradoria-Geral da República. O documento desencadeou uma sucessão de decisões e acusações entre integrantes da Corte. Na semana seguinte, no dia 23, os ministros deverão voltar a se reunir para analisar um pedido de investigação contra André Mendonça.

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