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PF lista contatos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro

ResumoA Polícia Federal registrou em relatório encontros, ligações e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material, relacionado à cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi retirado do sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal reuniu em relatório uma série de encontros, ligações e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material, ligado à cinebiografia de Jair Bolsonaro, foi retirado do sigilo pelo ministro André Mendonça, do STF.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
PF lista contatos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal listou uma série de encontros presenciais, ligações e trocas de mensagens diretas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os dados constam em relatório elaborado a partir da extração do celular de Vorcaro e de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento está entre os materiais de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) cujos sigilos foram retirados pelo ministro André Mendonça.

Segundo os investigadores, os elementos indicam que Flávio não atuou apenas como terceiro citado em negociações, mas como interlocutor direto de Vorcaro para viabilizar aportes financeiros à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, obra intitulada "Dark Horse".

A linha do tempo montada pela PF mostra que a relação direta entre o senador e o banqueiro se intensificou no segundo semestre de 2025. Em 20 de agosto daquele ano, ocorreu o primeiro registro direto de troca de mensagens: Vorcaro combinou um horário ("21 pode ser") e Flávio respondeu afirmativamente, informando às 21h47 que estava "a caminho", o que os investigadores leem como indicação de encontro presencial.

Em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio cobrando repasses em atraso para o filme. O senador expressou receio com a inadimplência e o risco de dar "calote" a figuras prestigiadas do cinema norte-americano, citando nominalmente o ator protagonista Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro respondeu pedindo desculpas e prometeu resolver no dia seguinte.

Na semana seguinte, o empresário Thiago Miranda avisou a Vorcaro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o material gravado, propondo reunião na residência do banqueiro em Brasília. Vorcaro concordou. Em 16 de setembro, houve registro de ligação telefônica entre os dois. A data coincide exatamente com a última remessa financeira de US$ 1,66 milhão realizada pela Entre Investimentos para a Havengate Development Fund nos Estados Unidos, conforme apurado pelo Coaf.

Em 22 de outubro, Flávio alertou Vorcaro de que o projeto estava no terceiro dia de filmagens e que a produção se encontrava "no limite" orçamentário. Pediu que, caso o aporte não fosse viabilizado, o banqueiro avisasse imediatamente para que ele pudesse encontrar "outro caminho com urgência". No mesmo dia, Vorcaro respondeu que iria ver o assunto e que havia liberado mais uma parcela. Em seguida, Flávio o convidou para um jantar em São Paulo com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh.

Em 7 de novembro, Flávio encaminhou um vídeo da produção a Vorcaro com mensagem de agradecimento: "Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc!". Em 16 de novembro, às vésperas da ação policial, tentou ligação e enviou: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

No dia 17 de novembro, por volta das 22h, Daniel Vorcaro foi preso pela PF ao tentar embarcar em jato particular com destino ao exterior. Na manhã seguinte, a corporação deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Sobre a apuração, Flávio Bolsonaro primeiro negou que havia pedido recursos a Vorcaro para a produção do filme. Depois, confirmou que solicitou verbas ao ex-banqueiro. O candidato do PL à Presidência disse que os contatos fizeram parte de uma relação privada de captação de patrocínio e negou ter recebido qualquer valor diretamente ou cometido irregularidades.

A defesa do senador vem defendendo a retirada integral do sigilo dos autos. A PF aponta que a atuação do senador abrangeu desde a cobrança por repasses atrasados até reuniões presenciais e o acompanhamento próximo do cronograma das gravações. Os agentes federais destacam que a dinâmica apurada exige aprofundamento das apurações para esclarecer cinco pontos centrais.

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