Salário de Infantino na Fifa cresceria 6 vezes se plano fosse aprovado
Plano de Infantino na Fifa para criar a FFE, com venda de ações, faria o salário do dirigente saltar de US$ 4,8 milhões para US$ 30 milhões. Projeto foi rejeitado por Uefa e outras confederações.
Salário de Infantino na Fifa cresceria 6 vezes se plano fosse aprovado
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, sofreu uma dupla derrota: institucional e financeira. O plano de criar uma empresa para operar as principais competições da entidade, com venda de ações a investidores, foi inviabilizado após forte rejeição de confederações, especialmente da Uefa. Segundo reportagem do jornal inglês "The Times", se a Fifa Forward Enterprise (FFE) tivesse sido criada, o salário do dirigente se tornaria seis vezes maior.
O que era a Fifa Forward Enterprise (FFE)?
A FFE seria uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A ideia de Infantino era ficar no comando da FFE sem limite de mandatos. Na Fifa, ele só pode ficar até 2031, se for reeleito em 2027. A estrutura permitiria ao dirigente ampliar seu poder e, segundo a reportagem, sua remuneração.
Quanto Infantino ganha hoje na Fifa?
Em relatório de transparência publicado em seu site oficial, a Fifa divulgou que o salário anual de Infantino em 2025 foi de US$ 4,8 milhões brutos (cerca de R$ 25 milhões à época). O salário-base foi de US$ 2,6 milhões, com mais US$ 2,2 milhões em bônus.
Quanto Infantino ganharia com a FFE?
Segundo "The Times", a criação da FFE faria o dirigente passar a ganhar US$ 30 milhões (R$ 152,4 milhões). O valor não inclui eventuais bonificações. Ou seja, o salário cresceria seis vezes, um salto que chamou a atenção de entidades e federações.
Uma fonte ouvida pela reportagem do The Times afirmou que o dirigente "perdeu tudo devido a uma ganância desenfreada" e o chamou de "pato morto". A declaração reflete o clima de ruptura após o anúncio do plano.
Por que o plano foi rejeitado?
A rejeição foi imediata e contundente. A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
A Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol foram as entidades mais firmes nas críticas à Fifa. O Fifpro (sindicato internacional dos atletas de futebol) também fez dura oposição à tentativa de Infantino. A Conmebol mostrou uma posição pública de neutralidade durante toda a crise.
O comunicado da Uefa
Principal opositora ao projeto, a Uefa divulgou um duro comunicado no sábado, afirmando que o dirigente perdeu a confiança das federações europeias. O texto diz:
"É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol."
A declaração sinaliza uma crise de confiança que vai além do plano financeiro. Para a Uefa, o episódio expõe um problema de governança na entidade máxima do futebol.
A desistência de Infantino
Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta-feira, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados. A decisão encerrou, ao menos por ora, o projeto que poderia multiplicar o salário do dirigente.
O episódio mostra como a pressão das confederações pode frear iniciativas consideradas arriscadas. Para Infantino, o revés no bolso é proporcional à derrota política: sem a FFE, o salário permanece em US$ 4,8 milhões anuais.
O que esperar daqui para frente?
Agora, a atenção se volta para o próximo Congresso da Fifa, marcado para 2027, quando Infantino pode tentar a reeleição. A relação com a Uefa e outras confederações segue estremecida. O plano de criar uma subsidiária com investidores privados, que renderia bilhões à entidade, foi arquivado, mas a discussão sobre a governança da Fifa permanece aberta.
Para quem acompanha o futebol, o caso serve de alerta: decisões que envolvem dinheiro e poder na entidade máxima do esporte podem gerar crises institucionais profundas. A rejeição ao plano de Infantino é um capítulo recente dessa história.
Perguntas Frequentes
O que era a Fifa Forward Enterprise?
A FFE seria uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores, responsável por consolidar as operações das principais competições da entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.
Quanto Infantino ganharia se o plano fosse aprovado?
Segundo o jornal The Times, o salário de Infantino passaria de US$ 4,8 milhões para US$ 30 milhões anuais, sem contar bonificações.
Por que o plano foi rejeitado?
A Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol se opuseram ao projeto. A Uefa anunciou boicote às competições da Fifa caso o plano continuasse em curso.
Infantino desistiu do plano?
Sim, Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta-feira, três dias após anunciar a possibilidade de venda de ações a investidores privados.
O que significa "pato morto"?
Uma fonte ouvida pelo The Times usou a expressão para descrever a situação de Infantino após a rejeição do plano, indicando que ele teria perdido força política.
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