# STF encerra sessão sem definir julgamento de Moraes e Mendonça

> O Supremo Tribunal Federal encerrou a primeira sessão sobre a crise Master sem conclusão, com placar de 4 votos a 3 para manter separadas as análises dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu o julgamento sem data definida para retomada.

*Folha Regional · Eventos · 16 de setembro de 2026 · Edmar Lisboa*

A primeira sessão do STF sobre a crise Master terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu o julgamento sem data definida.

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), a primeira sobre a crise Master que atinge a Corte, terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista de Flávio Dino, sem nova data marcada.

O placar desta terça espelha uma divisão que vinha se desenhando desde a semana anterior, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master. Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

O presidente do STF e relator da sessão, Edson Fachin, votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Fachin foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises fossem conjuntas. Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.

Fachin também foi contra a redistribuição do relatório sobre Alexandre de Moraes, que puxou para o gabinete da Presidência do STF. Gilmar defendia que houvesse um sorteio para a definição de um novo relator, alegando que é isto que está previsto no Regimento Interno da Corte.

"Quero, desde logo, me manifestar no sentido de manter não apenas a separação entre os julgamentos. Portanto, voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como, de não levar a efeito o apensamento [reunião] dos feitos mencionados e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental", disse Fachin.

André Mendonça acompanhou o voto de Fachin. "Entendo não haver as mesmas bases fáticas. O que há, em relação a mim, é um suposto relatório de inteligência, um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministros do STF e de outras autoridades, em uma atividade própria de uma PF paralela", disse Mendonça.

Na sequência, Flávio Dino abriu divergência e votou pela conexão dos dois casos, acompanhando o entendimento de Gilmar Mendes. Cristiano Zanin acompanhou Dino na divergência. Posteriormente, Moraes se posicionou pela análise conjunta da sua situação com a do ministro André Mendonça. Após um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Dino mudou sua posição e passou a pedir vista.

A crise se intensificou após o confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master. Moraes acusou o colega de fazer uma liberação "seletiva" dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material. Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, Fachin decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15). Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

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