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Valdemar muda versão e diz ao STF que não indica emendas parlamentares

ResumoValdemar Costa Neto, presidente do PL, alterou a versão apresentada ao STF sobre emendas parlamentares. A defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que ele não indica emendas, apenas sugere, contrariando declarações públicas anteriores do dirigente partidário. A nova petição judicial contrasta com a postura previamente assumida pelo político.

A defesa de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mudou a versão apresentada publicamente e afirmou ao STF que ele não indica emendas parlamentares, apenas sugere. A nova petição contrasta com declarações anteriores do dirigente.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Valdemar muda versão e diz ao STF que não indica emendas parlamentares

Valdemar muda versão e diz ao STF que não indica emendas parlamentares

A defesa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mudou a versão apresentada publicamente pelo dirigente sobre sua atuação na destinação de emendas parlamentares e afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não faz indicações de recursos do Orçamento que cabem aos senadores e deputados federais. De acordo com o documento, ele realiza apenas sugestões. A defesa de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mudou a versão apresentada publicamente e afirmou ao STF que ele não indica emendas parlamentares. Em petição, os advogados sustentam que ele não possui poder formal sobre emendas, apenas faz sugestões não vinculantes. A mudança ocorre após Dino bloquear R$ 119 milhões em bens do dirigente.

O que diz a nova versão da defesa de Valdemar ao STF

Em petição encaminhada ao STF nesta segunda-feira, os advogados sustentam que Valdemar não possui qualquer poder formal sobre emendas parlamentares. Valdemar teve até R$ 119 milhões em bens bloqueados em uma investigação que apura se ele, mesmo sem ser parlamentar, era responsável por indicar recursos. Após uma entrevista em que Valdemar disse ser natural presidentes partidários interferirem nos repasses, Dino cobrou explicações.

Segundo a petição, o presidente do partido "que não exerce mandato parlamentar não apresenta emenda, não pratica a indicação formal prevista na legislação orçamentária, não delibera em nome de parlamentar, da bancada ou da comissão, não determina empenho, não ordena despesa e não substitui o líder parlamentar".

Os advogados acrescentam que o presidente do PL "não dispõe de cota, reserva, titularidade, propriedade, cessão ou poder jurídico de disposição sobre emendas parlamentares" e sustentam que o uso da palavra "indicar", no ambiente político, não corresponde ao sentido jurídico do termo.

"A expressão coloquial segundo a qual presidentes partidários podem 'indicar' prioridades significa apenas sugerir, recomendar ou defender politicamente determinada política pública", afirma a defesa.

Declarações anteriores: o que Valdemar disse publicamente

A nova manifestação contrasta com declarações dadas pelo próprio presidente do PL após ser alvo da operação da PF, quando afirmou à GloboNews que indicar emendas fazia parte de suas atribuições como dirigente partidário., É lógico (que presidentes de partidos interferem na destinação de emendas). É função do presidente cuidar do partido. Quem tem a visão nacional do partido é o presidente

Agora, a defesa afirma que essa atuação jamais significou a prática de atos formais relacionados às emendas parlamentares.

O que diz a petição sobre o papel do presidente do partido

Segundo os advogados, a sugestão feita por Valdemar "é não vinculante, pode ser acolhida, alterada ou rejeitada e não produz qualquer efeito sem a atuação autônoma do parlamentar, da liderança parlamentar, da bancada e da comissão temática".

A petição acrescenta que "a autoria, a deliberação e a responsabilidade pelos atos formais permanecem com os agentes e órgãos expressamente designados pela Constituição, pela legislação e normas internas das Casas Legislativas".

A defesa também sustenta que não existe, do ponto de vista jurídico, uma categoria de emenda pertencente ao presidente de um partido.

Os advogados reforçam ainda que Valdemar não exerce qualquer atribuição prevista na legislação orçamentária.

"O Presidente Nacional do Partido Liberal não dispõe de cota, reserva, titularidade, propriedade, cessão ou mecanismo jurídico de alocação de emendas parlamentares. Não apresenta emenda, não pratica a indicação formal, não delibera pela bancada ou pela comissão e não ordena a execução da despesa. Pode haver, no plano estritamente político, espaço interno para que diferentes atores do partido - inclusive e sobretudo seu presidente - sejam ouvidos e apresentem sugestões", pontuaram.

Bloqueio de R$ 119 milhões e a decisão de Flávio Dino

No último dia 10, Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar por considerar haver indícios de que o dirigente atuou na indicação de emendas parlamentares sem exercer mandato. Segundo a investigação da PF, 21 emendas passaram pelo crivo do presidente do PL, das quais R$ 104 milhões chegaram a ser pagos.

Na decisão, o ministro afirmou que mensagens e planilhas apreendidas indicam que Valdemar "contava com autonomia para direcionar recursos de emendas (de comissão, proeminentemente) conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla", acrescentou o ministro no despacho.

O contexto da investigação e o papel de Valdemar

A investigação apura se Valdemar, mesmo sem ser parlamentar, era responsável por indicar recursos do Orçamento. A operação da PF mirou o presidente do PL, que deu entrevista à GloboNews afirmando que indicar emendas fazia parte de suas funções. Agora, a defesa busca reverter o bloqueio dos bens ao argumentar que não há poder formal de indicação.

A distinção entre o "indicar" coloquial e o jurídico é central na estratégia da defesa. Enquanto Dino vê indícios de autonomia para direcionar recursos, os advogados insistem que qualquer sugestão de Valdemar não vincula os parlamentares.

Perguntas Frequentes

Valdemar Costa Neto é investigado por qual crime?

A investigação apura se ele, mesmo sem ser parlamentar, era responsável por indicar emendas parlamentares, o que pode configurar irregularidades na destinação de recursos do Orçamento.

Quanto foi bloqueado dos bens de Valdemar?

Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do PL.

O que Valdemar disse publicamente sobre indicar emendas?

Em entrevista à GloboNews, ele afirmou que é natural presidentes partidários interferirem na destinação de emendas e que isso faz parte de suas atribuições.

Qual a diferença entre a versão pública e a versão ao STF?

Na versão pública, Valdemar disse que indicar emendas é função do presidente do partido. Já a defesa ao STF afirma que ele apenas sugere, sem poder formal de indicação.

Quantas emendas passaram pelo crivo de Valdemar?

Segundo a investigação da PF, 21 emendas passaram pelo crivo do presidente do PL, das quais R$ 104 milhões chegaram a ser pagos.

O que diz a petição sobre o papel do presidente do partido?

A petição afirma que o presidente do partido não dispõe de cota, reserva ou poder jurídico sobre emendas, e que qualquer sugestão é não vinculante.

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