Venezuela refuta Trump e diz ter controle do petróleo
A presidente interina Delcy Rodríguez refutou a versão de Donald Trump e garantiu que a Venezuela mantém o controle de suas reservas de petróleo, em meio a um acordo histórico com os EUA.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, garantiu no sábado que o país manterá o controle de seu petróleo após o novo acordo firmado com os Estados Unidos. A declaração contraria a versão apresentada pelo presidente americano, Donald Trump, que um dia antes anunciou que as duas nações haviam fechado "o maior acordo de petróleo da História mundial" e que os EUA haviam "assegurado controle majoritário" dos mais de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas, dobrando as reservas de Washington.
"Uma coisa deve estar completamente clara: a Venezuela retém a posse e soberania sobre seus recursos", afirmou Rodríguez em pronunciamento na televisão estatal. Ela esclareceu que os 17 "campos estratégicos" que ficarão sob controle americano continuam pertencendo à Venezuela. A meta é elevar a produção para 1,5 milhão de barris por dia.
Pelo acordo, a Venezuela receberá US$ 19 (cerca de R$ 99) por cada barril vendido. Para Rodríguez, a parceria tem como objetivo transformar os recursos subterrâneos, atualmente "frios e inertes", em fonte de "bem-estar econômico e social" para a população, por meio de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 519 bilhões) em investimentos privados de empresas americanas. A presidente interina estima que o acordo gere US$ 204 bilhões (cerca de R$ 1,06 trilhão) em receita fiscal, sem detalhar como esse dinheiro chegará à população.
A justificativa de Rodríguez, que foi vice do presidente Nicolás Maduro, preso e deposto pelo governo Trump, é uma resposta a críticas nas redes sociais, inclusive entre apoiadores do chavismo, que temem perda de soberania. "Não sabemos quem se beneficiará com isso, se a Venezuela ou eles. Tenho minhas dúvidas, mas temos que esperar para ver", diz à AFP Jesús Salazar, segurança privado de 68 anos.
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) reafirmou apoio à decisão, defendendo medidas que priorizem os interesses nacionais. Sob pressão de Washington, Rodríguez promoveu reformas para abrir os setores de petróleo e mineração ao capital privado. A produção cresceu para 1,2 milhão de barris ao dia (alta de 29,8%) entre janeiro e julho, ainda abaixo dos 3 milhões de 25 anos atrás.
Especialistas avaliam que o aumento expressivo levará anos. O engenheiro Oswaldo Felizzola estima efeitos em três ou quatro anos. "Se não fosse assim, esses campos não seriam explorados nos próximos 10 ou 15 anos, porque a PDVSA não tem os recursos", destaca. A operação poderia acelerar a recuperação de uma contração de cerca de 80% entre 2014 e 2021.
O analista Elías Ferrer vê a chegada de investimentos como positiva, e a ex-vice-ministra Dolores Dobarro afirma: "Se tudo for feito corretamente, será uma grande oportunidade".