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Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada no Brasil

ResumoRelatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado em 29 de julho de 2026, aponta ações policiais como motor da violência armada no Brasil. Dados de quatro regiões metropolitanas indicam recorde de participação policial em tiroteios, com 39% dos registros, consolidando a atuação das forças de segurança como principal fator de letalidade armada no país.

Relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado em 29 de julho de 2026, aponta que ações policiais consolidaram-se como motor da violência armada no Brasil. Dados de quatro regiões metropolitanas mostram recorde de participação policial em tiroteios, com 39% dos registros,

Wellington Frota
Wellington Frota Repórter de segurança · 30 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada no Brasil

Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada no Brasil

Relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado em 29 de julho de 2026, aponta que as ações e operações policiais consolidaram-se como um dos motores da violência armada no Brasil. Dados de quatro regiões metropolitanas mostram recorde de participação policial em tiroteios, com 39% dos registros, 584 mortos e 317 feridos.

Foram registrados 2.511 tiroteios no primeiro semestre de 2026, resultando em 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas. As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, deixando 584 mortos e 317 feridos em seus 989 tiroteios. Em 2025, no primeiro semestre, a participação policial era de 33% dos tiroteios.

Participação policial cresce e vira motor da violência

A gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, Terine Husek Coelho, avalia que o modelo de segurança pública atual é repetido há três décadas e se mostra incapaz de desarticular grupos armados. "Não é razoável esperar resultados distintos insistindo em uma estratégia cuja ineficácia já é conhecida", afirma.

A análise aponta que a lógica atual alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado, compromete o funcionamento de escolas e unidades de saúde e não contém o avanço dos grupos armados. Apesar da queda nos tiroteios entre os períodos, o relatório mostra que a participação policial nos conflitos cresceu.

Disputas entre grupos armados crescem 12%

O número de baleados em disputas entre grupos armados, como facções e milícias, cresceu 12% durante o semestre, aumentando de 181 vítimas em 2025 para 203 em 2026. Os dados indicam um avanço das ações dos grupos armados nos estados mapeados, mesmo com o aumento da presença policial.

Os números foram levantados entre janeiro e junho de 2026, nas quatro regiões metropolitanas onde o Fogo Cruzado atua: Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, em 57 municípios.

Rio de Janeiro: quase metade dos tiroteios com participação policial

Ao menos 976 tiroteios foram mapeados na região metropolitana do Rio. O número segue em tendência de queda, mas as ações e operações policiais já correspondem a quase metade dos registros do primeiro semestre. As forças policiais participaram de 47% dos casos mapeados no Grande Rio, o maior patamar para o período desde 2017.

Recife: menor índice desde 2019, mas recorde de ação policial

Com 645 tiroteios mapeados, houve queda na violência armada na região metropolitana do Recife, sendo o menor índice desde 2019. Apesar da redução, o primeiro semestre de 2026 já acumula o maior número de tiroteios em ações e operações policiais de toda a série histórica, com 60 registros, ou 9% do total mapeado.

Assaltos com baleados batem recorde

O número de assaltos que terminam com baleados está cada vez mais frequente. Esse agravamento da violência armada em crimes contra o patrimônio fica evidenciado no número de vítimas registradas ao longo do primeiro semestre, quando 53 pessoas foram atingidas, sendo recorde se comparado ao primeiro semestre dos quatro anos anteriores.

Salvador: menor índice de tiroteios, mas ação policial cresce

Nos últimos anos, Salvador e regiões metropolitanas têm acompanhado uma tendência de queda no número de tiroteios ocorridos nos primeiros semestres, chegando em 2026 ao seu menor índice com 656 registros. O número de baleados nas ações policiais também acompanha esse aumento: dos 637 atingidos por disparos de arma de fogo no período, 53% deles em contexto de ações policiais.

A quantidade de agentes de segurança baleados em serviço também reflete esse cenário. Dos 34 agentes atingidos, 24 estavam em serviço, representando 71% dos atingidos.

Belém: queda de 20% nos tiroteios, mas 45% com ação policial

Durante o primeiro semestre de 2026, 234 tiroteios foram mapeados na região metropolitana de Belém, uma queda de 20% em comparação com os primeiros seis meses de 2025, com 293 casos mapeados. A violência na região segue sendo profundamente marcada por ações e operações policiais. Durante o primeiro semestre de 2026, houve a participação dos agentes em 45% dos registros.

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Perguntas Frequentes

O que aponta o relatório do Instituto Fogo Cruzado?

O relatório aponta que as ações e operações policiais consolidaram-se como um dos motores da violência armada no Brasil, com recorde de participação policial nos tiroteios.

Quantos tiroteios foram registrados no primeiro semestre de 2026?

Foram registrados 2.511 tiroteios, resultando em 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas.

Qual foi a participação policial nos tiroteios?

As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, deixando 584 mortos e 317 feridos em seus 989 tiroteios.

Onde os dados foram levantados?

Os dados foram levantados nas quatro regiões metropolitanas onde o Fogo Cruzado atua: Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, em 57 municípios.

O que diz a gerente de Pesquisa do Instituto?

Terine Husek Coelho avalia que o modelo de segurança pública atual é repetido há três décadas e se mostra incapaz de desarticular grupos armados, alimentando o alto número de tiroteios.

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