Amigo de Lulinha recebeu R$ 63 mi do governo Lula
O empresário Marcelo Checon, amigo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, obteve 13 contratos com a atual gestão federal. Sua empresa, a MChecon Design e Cenografia, faturou R$ 63 milhões nos últimos três anos, prestando serviços ao Planalto e a ministérios.
O empresário Marcelo Checon, amigo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, obteve 13 contratos com a atual gestão federal. Nos últimos três anos, sua companhia, a MChecon Design e Cenografia, faturou R$ 63 milhões. A firma atua no setor de grandes eventos, como carnavais e festivais de música pelo país.
A companhia presta serviços diretos ao Palácio do Planalto e a diversos ministérios do governo. Antes de 2023, ano da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a organização mantinha apenas um acordo de R$ 197 mil. Os dados foram divulgados inicialmente por jornalistas da revista Veja.
O primeiro contrato assinado na atual gestão federal aconteceu em 2023 com a pasta da Cultura, após pregão para o ramo de eventos. O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a ser acionado por uma concorrente derrotada, que apontou falta de experiência e possíveis prejuízos financeiros. Apesar das ressalvas sobre o rombo de R$ 6 milhões, a Corte validou o certame.
Após isso, a MChecon garantiu contratos diretos com outros ministérios sem nova licitação. Entre 2023 e 2025, o empresário visitou o Planalto 39 vezes, algumas na mesma data em que Lulinha esteve lá. As entradas na sede do Executivo também coincidem com as visitas da lobista Roberta Luchsinger.
A amizade entre o filho do presidente e o empresário se iniciou em 2023, por intermédio do sócio Fernando Bittar. Desde então, os dois intensificaram consideravelmente os encontros no país e no exterior. Em 2024, viajaram para Portugal, onde celebraram o aniversário da esposa de Lulinha no Rock in Rio Lisboa. Checon também o visitou na Espanha. Já em 2025, a dupla viajou para o Japão e a China exatamente no mesmo período em que o presidente fez agendas oficiais na Ásia.
A defesa de Lulinha negou condutas ilícitas, alegando que a relação de amizade é pública. Os advogados veem os vazamentos como ação motivada por fins eleitorais.
Contratos da MChecon com o governo federal
Entre os contratos firmados, estão:
- Presidência da República (ago/2023): R$ 4.904.880,00 para a Expo Arena Cívica 2023.
- Ministério da Cultura (jan/2024): R$ 8.749.998,75 para eventos em todo o território nacional.
- Ministério da Cultura (fev/2024): R$ 6.999.999,00 para a Funarte.
- Ministério da Cultura (mar/2024): R$ 8.749.998,75 para eventos.
- Ministério da Educação (sem data): R$ 6.999.999,00 para eventos.
- Ministério do Desenvolvimento Agrário (jul/2024): R$ 8.749.998,75 para eventos.
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (ago/2024): R$ 8.749.998,50 para eventos.
- Ministério da Fazenda (jun/2025): R$ 117.738,00 para eventos do Ministério do Trabalho.
- Ministério do Trabalho (jul/2025): R$ 1.312.276,20 para eventos.
- Ministério do Trabalho (jul/2025): R$ 2.328.355,20 para eventos.
- Ministério do Trabalho (sem data): R$ 2.486.400,00 para eventos.
- Ministério do Trabalho (fev/2026): R$ 2.868.382,59 para a Conferência Nacional do Trabalho.
- Ministério do Trabalho (fev/2026): R$ 388.930,00 para eventos.
A defesa de Lulinha afirma que a amizade com Checon é pública e não tem qualquer ilicitude. Os advogados classificam os vazamentos como ação motivada por interesses eleitorais, citando uma mensagem vazada de tom "inequivocamente jocoso" e ressaltando que relatórios policiais são documentos preliminares, sem fatos conclusivos.