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Conjugando o verbo fufucar: decisão do TRE e o caso André Fufuca

ResumoO Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) negou liminar que solicitava a remoção de artigo do jornalista Ed Wilson Araújo sobre o verbo fufucar, relacionado ao candidato ao Senado André Fufuca. A ação foi desistida pelo candidato horas após a decisão. O texto permanece disponível online, sem alteração judicial.

O TRE negou liminar que pedia a remoção de artigo do jornalista Ed Wilson Araújo sobre o verbo fufucar. Candidato ao Senado desistiu da ação horas depois. O texto segue no ar.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 07 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Conjugando o verbo fufucar: decisão do TRE e o caso André Fufuca

A gramática política do Maranhão ganhou um verbo novo, e a Justiça Eleitoral reconheceu que ele pode ser conjugado em público. No dia 12 de agosto, o jornalista e professor Ed Wilson Araújo publicou em seu blog o artigo "Fufucar: a miséria da política no Maranhão". Três semanas depois, o candidato ao Senado André Fufuca (PP) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral que retirasse o texto da internet. O TRE negou a liminar. Horas depois, ainda na noite de 2 de setembro, o candidato desistiu da própria ação. Vale, então, conjugar o verbo com calma, porque cada pessoa gramatical revela um pedaço dessa história.

A primeira pessoa do singular é a do próprio candidato, que tentou e não conseguiu. Quem pede à Justiça que apague um artigo de opinião não está defendendo direito de resposta. A legislação eleitoral prevê a resposta, e ela é gratuita, rápida e pública. Basta pedir espaço e responder. O que se pediu, porém, foi a remoção do texto. Remover não é responder, é silenciar. A Constituição, no artigo 220, é explícita ao vedar qualquer forma de censura, e a Resolução do TSE que regula a propaganda eleitoral determina que a atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos na internet ocorra com a menor interferência possível.

A segunda pessoa é o eleitor, chamado a assistir de camarote. Uma semana antes de acionar a Justiça contra o jornalista, o mesmo candidato criticava adversários que haviam recorrido ao TRE para suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral, e defendia o direito do público de conhecer os números. Ou seja, quando a informação lhe convém, o candidato invoca a transparência; quando a informação o incomoda, invoca o tribunal. O eleitor que percebe essa diferença já está aprendendo a conjugar.

A terceira pessoa é o método. Ed Wilson não inventou o verbo. Ele já circulava na imprensa nacional desde 2023, quando a nomeação de Fufuca para o Ministério do Esporte virou sinônimo de acomodação do Centrão e uma revista chegou a titular uma coluna com "Fufuquem-se todos!". O que o jornalista fez foi trazer o verbo para o Maranhão e descrever seu significado local, ou seja, a trajetória de quem foi aliado de Temer, votou em Bolsonaro, virou ministro de Lula, desobedeceu ao próprio partido para permanecer no cargo e agora disputa o Senado apresentando cada uma dessas fases como coerência. Não há calúnia em enumerar fatos públicos. Há jornalismo.

A primeira pessoa do plural é a mais dolorosa, porque inclui o Maranhão inteiro. Fufucar, no fundo, é o nome de um sistema, não de um sujeito. É a política feita de adesões sem programa, de partidos que trocam de lado como quem troca de camisa, de alianças que sobrevivem a qualquer governo. Ed Wilson vem descrevendo esse sistema há anos em seu blog. O artigo de agosto apenas deu ao sistema um verbo, e um verbo é a forma mais econômica de dizer que algo se repete.

A segunda do plural, meio arcaica, cabe às instituições. O TRE fez o que se espera de um tribunal em democracia. Analisou o pedido, viu que não havia inverdade a corrigir nem ofensa a reparar, e manteve o texto no ar. É bom registrar que a Justiça Eleitoral, quando funciona, não pergunta se a crítica é dura. Pergunta se ela é falsa. Crítica dura a candidato é o preço normal de uma candidatura. A rapidez da desistência, horas depois da negativa, sugere que o próprio autor da ação sabia disso.

A terceira do plural é o aviso. Quando um candidato tenta apagar um artigo, ele não mira apenas um jornalista. Mira todos os que escrevem, ensinam e pesquisam sobre a política local. O efeito procurado é o silêncio preventivo, aquele que faz o próximo colunista pensar duas vezes antes de usar um verbo. Por isso a defesa de Ed Wilson não é corporativismo de jornalistas nem solidariedade entre professores. É defesa do direito de o Maranhão se ler a si mesmo.

Que fufuquem, então, os que quiserem fufucar. Mas que não peçam ao tribunal para conjugar o verbo no silêncio. O artigo continua no ar, a ação foi retirada, e o verbo, agora com decisão judicial a favor, entra de vez no dicionário político do estado. A miséria da política no Maranhão não está no neologismo. Está no que o neologismo descreve.

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