Empresários cobram reação urgente do STF em manifesto
Entidades empresariais divulgaram manifesto cobrando que o STF examine em sessão pública e com urgência os fatos relacionados à crise na Corte. CNI, Fiesp e CNC estão entre as signatárias.
Entidades empresariais divulgaram nesta quarta-feira (9) um manifesto em que cobram que o Supremo Tribunal Federal (STF) examine, em sessão pública e com urgência, os fatos relacionados à crise na Corte. Entre as signatárias estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC). O documento, intitulado "Manifesto à Nação Brasileira", afirma que o país atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e aponta o Supremo como o epicentro dessa situação.
"A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!", diz o manifesto. O texto não cita nomes de ministros nem detalha episódios específicos. As entidades defendem que a Corte preste contas à sociedade e afirmam que a perda de legitimidade de um tribunal compromete a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a paz social.
"O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas", afirmam. Segundo o manifesto, a autoridade de um tribunal depende de imparcialidade, transparência e exemplo na atuação de seus integrantes. "A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas", diz o documento.
A página do manifesto reúne adesões de associações, federações e sindicatos de diferentes setores e regiões do país, totalizando 2.764 registros. O documento termina com a convocação para que a sociedade se manifeste e a afirmação de que "ninguém está acima da lei".
Posicionamento do presidente da CNI
Em posicionamento separado, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que as sucessivas crises em Brasília colocam as instituições em risco e exigem uma reação "vigorosa", justa e responsável. No texto "Não vamos desistir do Brasil", Alban pede bom senso às autoridades e afirma que a confiança da população nos Poderes públicos é um dos alicerces da democracia.
"A República enfrenta um teste de integridade inédito. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco", afirma Alban. O dirigente defende que as discussões sejam livres, públicas e transparentes, com oportunidade para esclarecimentos, e que as decisões considerem os efeitos sobre a competitividade, a produtividade e a geração de empregos.
"Não podemos deixar que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais travem o desenvolvimento. Não podemos, mais uma vez, perder as oportunidades de crescimento no cenário internacional", escreve. Alban convoca os poderes públicos, empresários e trabalhadores a buscar consenso em torno de temas como metas fiscais e políticas econômicas capazes de garantir investimentos e crescimento. O dirigente também defende amplo direito de defesa e que esse processo ocorra sem influência político-partidária.