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Unicef: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual online

ResumoUnicef reporta que 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual online, conforme dados do relatório. A maioria dos casos envolve conhecidos das vítimas, não estranhos. O estudo destaca a vulnerabilidade digital infantil e a necessidade de proteção parental e políticas públicas eficazes para mitigar riscos em ambientes virtuais.

Relatório do Unicef aponta que 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual online. Dados revelam que a maioria dos casos envolve conhecidos, não estranhos.

Tatiana Réis
Tatiana Réis Repórter de serviço · 07 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Unicef: 15 milhões de crianças expostas a conteúdo sexual online

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 15 milhões de crianças e adolescentes foram expostos a conteúdo sexual indesejado online no período de um ano, em 21 países. O levantamento, intitulado Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, foi lançado nesta semana e também aponta que 20 milhões sofreram algum tipo de exploração ou abuso facilitado pela tecnologia. Entre eles, 9 milhões foram induzidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens contra a vontade, e 4 milhões tiveram imagens vazadas.

Os especialistas do Unicef acreditam que os números reais sejam maiores, já que muitas vítimas não comunicam o ocorrido. Mais de 40% das ocorrências informadas durante a coleta não foram reveladas pelas vítimas, principalmente por não saberem a quem recorrer. O estudo ouviu 21 mil crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, entre 2020 e 2025.

Os dados contrariam o imaginário de que a violência online é perpetrada principalmente por estranhos. Mais da metade dos casos (57%) envolvia alguém do convívio da vítima, como familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. Ao mesmo tempo, 38% das vítimas conheceram os agressores pela primeira vez na internet, o que indica o papel de contas falsas e mensagens privadas. Em média, 60% das violações ocorreram em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp, e 14% em jogos online, ambiente citado como propício porque a dinâmica se baseia em um jogador explorar a confiança do outro.

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, afirmou que essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental, e que muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber onde procurar ajuda.

No Brasil, 19% dos entrevistados relataram ter passado por esse tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes, com menos de 1% das ocorrências denunciadas. A internet respondeu por 55,5% dos casos brasileiros e a escola por 24,5%. Os canais mais perigosos foram aplicativos de mensagens e redes sociais (66,5%), com destaque para Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%). Jogos online responderam por 12,3%.

Uma jovem brasileira contou aos pesquisadores que foi chantageada pelo agressor, que ameaçou enviar mensagens anteriores à mãe dela caso não recebesse mais uma foto. Outra entrevistada disse que passou anos vasculhando a internet para garantir que nenhuma imagem sua, inclusive montagens, circulasse sem consentimento.

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